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A Árvore do Conhecimento

Trabalho por Geison Cioato, estudante de Direito @ , Em 17/11/2003

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RESENHA – A ARVORE DO CONHECIMENTO

Caxias do Sul, Novembro de 2003


A Árvore do Conhecimento – as bases biológicas da compreensão humana – Autores: Humberto R. Maturama e Francisco J. Varela – Editora Palas Athena – Tradução Humberto Mariotti e Lia Diskin – Edição original 2001 – 2º edição 2002.

Autores: Humberto R. Maturana - Ph.D. em Biologia (Harvard, 1958). Nasceu no Chile. Estudou Medicina (Universidade do Chile) e depois Biologia na Inglaterra e EUA. Como biólogo, seu interesse se orienta para a compreensão do ser vivo e do funcionamento do sistema nervoso, e também para a extensão dessa compreensão ao âmbito social humano. É professor da Universidade do Chile.

Francisco J. Varela - Ph.D. em Biologia (Harvard, 1970). Nasceu no Chile. Depois de ter trabalhado nos EUA, mudou-se para a França, onde passou a ser diretor de pesquisas no GNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas) no Laboratório de Neurociências Cognitivas do Hospital Universitário da Salpêtrière, em Paris, além de professor da Escola Politécnica, também em Paris.


A Obra:

O livro no seu contexto total procura demonstrar inicialmente o conceito de ser vivo, as formas de agrupamento celular ate chegarmos nos seres metacelulares. Após isso somos apresentados aos acoplamentos de terceira ordem, ou seja, as interações entre os seres metacelulares. Os pontos mais importantes do livro podem ser considerados como os ligados ao comportamento dos seres e de como esse comportamento sofre influencia do meio e de outros seres. Analisando a sociedade atual através dos conceitos trazidos pelo livro podemos chegar a conclusões bastante perturbadoras no sentido de colocarmos em cheque os próprios conceitos de certo e errado pessoais de cada ser humano.

O ser é fruto do meio em que vive e se desenvolve, assim como podemos julgar os atos de outro ser sem termos conhecimento do meio no qual se desenvolveu? E mesmo que conheçamos este meio como podemos analisar de forma correta estes atos se não temos a experiência real de interação com o meio?

O ponto de partida desta obra é surpreendentemente simples: a vida é um processo de conhecimento; assim, se o objetivo é compreendê-la, é necessário entender como os seres vivos conhecem o mundo. Eis o que Humberto Maturana e Francisco Varela chamam de biologia da cognição.

O modo como se dá o conhecimento é um dos assuntos que há séculos instiga a curiosidade humana. Desde o Renascimento, o conhecimento em suas diversas formas tem sido visto como a representação fiel de uma realidade independente do conhecedor. Ou seja, as produções artísticas e os saberes não eram considerados construções da mente humana. Com alguns intervalos de contestação (como aconteceu logo início do século 20, por exemplo), a idéia de que o mundo é pré-dado em relação à experiência humana é hoje predominante - e isso talvez mais por motivos filosóficos, políticos e econômicos do que propriamente por causa de descobertas científicas de laboratório.

Segundo essa teoria nosso cérebro recebe passivamente informações vindas já prontas de fora. Num dos modelos teóricos mais conhecidos, o conhecimento é apresentado como o resultado do processamento (computação) de tais informações. Em conseqüência, quando se investiga o modo como ele ocorre (isto é, quando se faz ciência cognitiva), a objetividade é privilegiada e a subjetividade é descartada como algo que poderia comprometer a exatidão científica.

Tal modo de pensar se chama representacionismo, e constitui o marco epistemológico prevalente na atualidade uma nossa cultura. Sua proposta central é a de que o conhecimento é um fenômeno baseado em representações mentais que fazemos do mundo. A mente seria, então, um espelho da natureza. O mundo conteria "informações" e nossa tarefa seria extraí-las dele por meio da