A Carteira de Meu Tio
A Carteira de Meu Tio trata de forma bem-humorada da política do Brasil do Segundo Império. Por intemédio de seu personagem principal, o autor descreve o político brasileiro da época e que bem poderia ser o de hoje.
O protagonista da história é um jovem cujo tio financia sua viagem de estudos à Europa, na qual ele só se preocupa em aproveitar a vida e faz tudo menos estudar. Na volta, inquirido pelo tio sobre seu futuro, decide tornar-se um político, aquilo que considerava a melhor maneira de enriquecer e ter poder sem ter de trabalhar tanto assim. O tio, reconhecendo, de início, no sobrinho duas características indispensáveis para exercer essa profissão era um impostor e um atrevido , exige que antes de entrar na vida pública ele viaje a cavalo pelo Brasil para conhecer seu povo e suas necessidades.
Nesta viagem, o autor fornece uma rica e bem-humorada imagem da política e dos políticos da época, que impressiona pela semelhança com a época atual.
Durante toda a narrativa da história não temos conhecimento sobre o verdadeiro nome do protagonista, pois o mesmo já começa a narrar os fatos apresentando-se como o sobrinho do meu tio, vez que o mesmo não valeria nada pelo seu nome de batismo.
No início da obra o protagonista relata sobre a importância do EU, que segundo o mesmo resume toda a trajetória política e moral de uma pessoa. Ele nos reporta, inclusive, aos ingleses que escrevem sempre o pronome EU com letra maiúscula.
É incrível como uma obra escrita a quase 150 anos relata a política, tal qual é nos dias atuais. Esse fato é de cara comprovado, quando o protagonista fala da importância das apadriagens. Ninguém utiliza seu nome de batismo, é sempre conhecido como filho de fulano, ou primo ou afilhado, ou qualquer coisa nesse sentido.
Como foi dito acima, o protagonista da história se envereda por uma viagem para conhecer sua terra, com o objetivo de se tornar um político, lembrando que foi uma recomendação do tio, pois para ele a política é feita na base da malandragem e não há muito mistério para alcançar êxito quando se é um atrevido e impostor como ele.
Para a viagem, o tio entrega ao sobrinho a Constituição da República, que o mesmo diz não passar de uma defunta, vez que seus preceitos não são colocados em prática. Além dela ele entrega também outros livrinhos que correspondem a leis eleitorais e outras leis do império, que ele denomina de filhos malcriados da Constituição, mas que devem ser respeitados para sobreviver no mundo da corrupção.
O tio pediu para que o mesmo observasse tudo o que havia na Constituição com a vida prática e que anotasse todas as impressões que tivesse de sua viagem para que quando voltasse o tio pudesse ver a grande verdade que o mesmo haveria de aprender. O local onde essas anotações eram feitas foi denominado de A CARTEIRA DO MEU TIO. O tio recomendou para que o mesmo não fizesse como os demais viajantes, ou seja, que não escrevesse mentiras na Carteira do Tio.
O sobrinho seguiu viagem no cavalo do tio que o mesmo considerava abominável. Pensou em gastar o dinheiro que o tio dera com farras e regalias, porém resolveu seguir viagem e escrever somente verdades, apesar do mesmo considerar a mentira como um grande capote, que serve para esconder toda a preguiça, todo o erro e toda a malandragem, não sendo a toa o motivo da mentira existir debaixo de todas as nações e todos os tetos.
Seguiu viagem no cavalo que abominava, mas passou a
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