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A imagem digital no cinema

Trabalho por Pedro Vieira, estudante de Desenho Industrial @ , Em 06/02/2007

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A imagem digital no cinema


Introdução

O advento da computação gráfica, embora relativamente recente, já é responsável por uma série de mudanças que podem ser observadas em antigos cânones do cinema, sem falar no surgimento de todo um conjunto de novos conceitos.

Em pouco tempo os avanços tecnológicos chegaram a tal ponto que o expectador precisa ser surpreendido a cada nova cena, sendo que os estúdios não poupam esforços (e nem capital) para conseguir uma cena de combate mais realista ou uma explosão mais impressionante.

Desde os fosseis vivos, vistos na tela em carne e osso, em "Jurassic Park", até os cenários digitais de "Guerra nas Estrelas", o caminho não foi tão longo assim. Comparando com outras tecnologias, os avanços experimentados foram rápidos e constantes.

Evidentemente, nenhum salto tecnológico se dá por acaso. Se ele aconteceu, existem motivos (demanda) para que tenha acontecido desse modo. A resposta cada vez mais positiva do público em relação aos efeitos digitais impulsionou os produtores a buscarem melhorias e inovações.

O fascínio do público em geral pelo "fantástico" sempre foi explorado, desde antes do cinema digital. Entretanto, foram através dos efeitos digitais que o fantástico passou a se tornar "verossímil".

Em pouco tempo se percebeu o quanto o público gostava de "ser enganado". Por mais paradoxal que possa parecer, quanto mais realista uma cena irreal é tornada, mais ela é apreciada pelo grande público. E a partir daí, esse realismo começou a ser buscado com afinco e em muitos casos alcançado com perfeição.

Uma breve história da imagem digital no cinema

Talvez o grande pioneiro em aplicação de efeitos digitais seja "Tron" (1982). Embora usufruindo amplamente dos efeitos digitais disponíveis na época, o filme ainda não os utilizava com objetivo de "enganar" o público. Nenhuma das cenas visava representar algo supostamente real. Ainda estávamos totalmente no campo "virtual".

Depois de "Tron", os efeitos digitais continuaram sendo usados, mas de maneira ainda tímida. Podemos destacar a interação entre atores de verdade e desenhos animados em "Uma cilada para Roger Rabbit" (1988) e mais tarde "Coll World" (1992), embora nesses filmes ainda não tivéssemos um vislumbre do que os efeitos digitais viriam a se tornar.

Também no período pós-Tron, vale a pena lembrar de dois filme que continham inovações significativas pra época: "Sherlock Holmes e o segredo da pirâmide" (1985) mostrou o primeiro personagem inteiramente digital a dar as caras nas telas, enquanto em "Willow" (1988) vimos a primeira aplicação da técnica de morphing. Essas primeiras experimentações no campo da imagem digital buscavam uma verossimilhança que, para a época, eram extremamente convincentes.

O gênero de ficção científica sempre foi um dos que serviu fertilmente como base para inovações tecnológicas da área. "O segredo do abismo" (1989) tinha o primeiro personagem gerado inteiramente no computador, com back up de um modelo real ("animatronic"). Em 1991, "O exterminador do futuro 2" causava espanto com as cenas do andróide T1000, assim como em 1992, "O passageiro do futuro", com tórridas cenas de sexo virtual.

Obviamente não faltaram tentativas frustradas de aplicação de efeitos digitais, como em Alien 3 (1992). A idéia dos produtores de compor uma criatura mais ágil, inserida através de imagens digitais em algumas porções do filme, desagradou os fãs, o que era de se esperar, dada a falta de qualidade dos efeitos que eram falsos à primeira vista.

Foi apenas a partir de "Jurassic Park" (1993) que a aplicação dos efeitos digitais começou a tomar a dimensão que alcançaria hoje. Os dinossauros de Spielberg respiravam, andavam e rugiam como bestas de carne e osso e isso era a grande chave para o seu sucesso.

Daí pra frente, muitos outros filmes vieram e a "obsessão" com uma representação fiel e verossímil do irreal começou a ser mais profundamente explorada