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Ética Contemporânea x Ética do Contador

Trabalho por Vanessa Andrade, estudante de Contabilidade @ , Em 22/04/2003

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Ética Contemporânea x Ética do Contador

 

A Ética Contemporânea

Incluímos na ética contemporânea não só as doutrinas éticas atuais, mas também aquelas que, embora tenham surgido no século XIX, continuam exercendo o seu influxo em nossos dias. Tal é o caso das idéias de Kierkegaard, Stirner ou Marx.

As doutrinas éticas posteriores a Kant e a Hegel surgem num mundo social que, depois da Revolução de 1789, não só conheceu a instauração de uma ordem social que se apresenta conforme à natureza racional do homem, mas também uma sociedade na qual afloram e se aguçam as contradições profundas que explodirão nas revoluções sociais do século passado e do presente. A sociedade racional dos iluministas do século XVIII, bem como o Estado hegeliano, encarnação da razão universal, revelam na realidade burguesa uma profunda irracionalidade. A ética contemporânea surge, igualmente, numa época de contínuos progressos científicos e técnicos e de um imenso desenvolvimento das forças produtoras, que acabarão por questionar a própria existência da humanidade, dada a ameaça que seus usos destruidores acarretam. Finalmente, a ética contemporânea, na sua fase mais recente, não só conhece um novo sistema social – o socialismo -, mas também um processo de descolonização e, paralelamente a ele, uma reavaliação de comportamentos, princípios e heranças que não se enquadram no legado ocidental tradicional.

No plano filosófico, a ética contemporânea se apresenta em suas origens como uma reação contra o formalismo e o racionalismo abstrato kantiano, sobretudo contra a forma absoluta que este adquire em Hegel. Na filosofia hegeliana, chega a seu apogeu a concepção kantiana do sujeito soberano, ativo e livre; mas, em Hegel, o sujeito é a Idéia, Razão ou Espírito absoluto, que é a totalidade do real, incluindo o próprio homem como um seu atributo. A sua atividade moral não é senão uma fase do desenvolvimento do Espírito ou um meio pelo qual o Espírito – como verdadeiro sujeito – se manifesta e se realiza.

A reação ética contra o formalismo kantiano e o racionalismo absoluto de Hegel é uma tentativa de salvar o concerto em face do formal, ou também o homem real em face da sua transformação numa abstração ou num simples predicado do abstrato ou do universal. De acordo com a orientação geral que segue o movimento filosófico, desde Hegel até nossos dias, o pensamento ético também reage:

  • contra o formalismo e o universalismo abstrato e em favor do homem concreto (indivíduo, para Kierkegaard e para o existencialismo atual; o homem social, para Marx.);
  • contra o racionalismo absoluto e em favor do reconhecimento do irracional no comportamento humano ( Kierkegaard, o existencialismo, o pragmatismo e a psicanálise);
  • contra a fundamentação transcendente ( metafísica) da ética e em favor da procura da sua origem no próprio homem ( em geral, todas as doutrinas que examinamos, e, com um acento particular, a ética de inspiração analítica, a qual, para subtrair-se a qualquer metafísica, refugia-se na análise da linguagem moral)

Tais são os rumos principais nos quais se orientam as doutrinas fundamentais contemporâneas no campo da ética, que de um modo muito sumário apresentamos a seguir.


I.- De Kierkegaard ao Existencialismo.

Kierkegaard (1813-1855) é considerado hoje como pai do existencialismo. Caracterizou-se a si mesmo como o Anti-Hegel, para sublimar categoricamente a sua oposição ao racionalismo absoluto hegeliano. O seu racionalismo é indiferente à existência do indivíduo; o que vale neste é o que possui de abstrato e universal. Para Kierkegaard, ao contrário, o que vale é o homem concreto, o individuo como tal, isso é, a sua subjetividade. Hegel pretende explicar tudo (nada escapa à sua racionalidade absoluta), mas não é possível uma explicação racional, objetiva, da existência