A Imagem Cinematográfica no Contexto Cultural e Artístico Conte
INTRODUÇÃO
O presente trabalho se divide em quatro capítulos que focalizam o contexto cultural e artístico da imagem contemporânea.
O primeiro capítulo apresenta uma idéia da imagem como imagem da mídia, analisando o processo de comunicação interagindo com os meios.
O segundo capítulo apresenta um histórico sobre o cinema, numa perspectiva artística e social.
O terceiro capítulo apresenta a morte da vanguarda, um estudo sobre as artes na segunda metade do século XX, enfocando o começo da atuação do diretor do filme que constitui nosso corpus.
O ultimo capítulo enfoca o nosso corpus, o filme Sonhos de Akira Kurosawa, analisando todas as suas histórias e fazendo um breve comentário sobre o diretor do filme.
CAPÍTULO 1
A IMAGEM COMO IMAGEM DA MÍDIA
Partindo do sentido comum, das utilizações convencionais e repetidas do termo "imagem", emprego contemporâneo do termo "imagem" remete, na maioria das vezes, a imagem da mídia. A imagem invasora, a imagem onipresente, aquela que se critica e que, ao mesmo tempo, faz parte da vida cotidiana de todos é a imagem da mídia. Anunciada, comentada, adulada ou vilipendiada pela própria mídia, a "imagem" torna-se então sinônimo de, televisão e publicidade.
Os termos não são, contudo, sinônimos. A publicidade encontra-se decerto na televisão, mas também nos jornais, revistas, nas paredes das cidades. Tampouco é unicamente visual. Existe, por exemplo, a publicidade radiofônica. Porém, a imagem da mídia é representada principalmente pela televisão e pela publicidade visual. Assim, uma coluna diária do jornal Le Monde, batizada "Imagens", comenta as transmissões da televisão. O subtítulo de um colóquio recente consagrado à televisão era "Poder e ambigüidade da imagem". Alguns semanários não especializados comentam com regularidade as publicidades sob a rubrica "Imagens". As transmissões de televisão são reproduzidas pela imprensa escrita ou ainda pelo rádio na qualidade de "imagens".
Isso se explica pela própria natureza de mídia da televisão e da publicidade, que se dirigem ao grande público. Todos as conhecem. Elas utilizam muito bem as imagens. No entanto, o amálgama imagem televisão publicidade mantém um certo número de confusões prejudiciais à própria imagem, à sua utilização e compreensão.
A primeira confusão é incorporar suporte a conteúdo. A televisão é um meio, a publicidade um conteúdo. A televisão é um meio particular capaz de transmitir a publicidade, entre outras coisas. A publicidade é uma mensagem particular capaz de se. materializar tanto na televisão quanto no cinema, tanto na imprensa escrita quanto no rádio. Com a repetição, contudo, a confusão, que não parece muito séria, nem de fato fundamentada. (afinal, sabe-se que a publicidade não constitui toda a televisão e vice-versa), torna-se perniciosa. Considerada como ferramenta de promoção e, antes de qualquer coisa, de promoção de si mesma, a televisão tende a estender o estilo publicitário a campos laterais, como a informação ou a ficção. Decerto existem outras causas para essa padronização dos gêneros televisuais: o contágio do fluxo televisual pode passar por outros processos como a: "espetacularização" ou a "ficcionalização". A. publicidade, porém, em virtude de seu caráter repetitivo, ancora-se com maior facilidade nas memórias do que o desfile das imagens que a cercam.
Isso nos leva a segunda confusão, em nossa opinião mais grave. Trata-se da confusão entre imagem fixa e imagem animada De fato, considerar que a imagem contemporânea é a imagem da mídia e que a imagem da mídia por excelência é a televisão ou o vídeo é esquecer que coexistem, ainda hoje, nas próprias mídias, a fotografia, a pintura o desenho, a gravura, a litografia etc., todas as espécies de
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