Citicorp/Citibank
INTRODUÇÃO
O edifício Citicorp/Citibank, com 93 m de altura e 20 andares, foi inaugurado em 1986. Ocupa um terreno de 4313m² e tem 47098m² de área construída. O projeto do Escritório Croce, Aflalo e Gasperini destacou-se no perfil da Paulista, em especial pelas cores contrastantes dos materiais utilizados no revestimento da fachada: a pedra granítica rosa e o vidro azul. Ele é um dos marcos arquitetônicos da avenida, caracterizando o pós-modernismo dos anos 80.
HISTÓRICO
O Citibank começou a operar no Brasil em 5 de abril de 1915, com sede no Rio de Janeiro. O banco está no País, portanto, há 89 anos. No início dos anos 80, em razão dos bons resultados da economia brasileira acumulados na década de 70, o grupo contratou o escritório Croce, Aflalo e Gasperini para que realizasse um projeto arquitetônico de vanguarda, com o objetivo de abrigar a nova sede da corporação no Brasil.
O arquiteto responsável pelo projeto foi Gian Carlo Gasperini, nascido em 1926, em Castellamare, Itália. Cursou a Faculdade de Arquitetura da Universitá degli Studi, de Roma, entre 1944 e 1946, formando-se em 1949 pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Doutorou-se em 1972 pela FAU-USP, onde lecionou na cadeira de composição até se aposentar. Atualmente, além das atividades do escritório, faz conferências e seminários em vários pontos do país.
Segundo relato do próprio arquiteto, no projeto do Cititcorp o pedido do cliente era um prédio de arquitetura brasileira que abrigasse uma tecnologia muito avançada.
Foi então que a equipe de projeto foi aos EUA para conhecer aquilo que na época era considerado tecnologicamente avançado, mas nenhum projeto em especial os agradou, sendo que a única coisa que ganhou destaque aos olhos de Gasperini foi a forma como eles prendiam o granito na fachada. Usavam um sistema de grampos de aço, deixando uma camada de separação para circulação do ar e para isolamento entre as superfícies externa e interna. Esta técnica, diferente da fixação com argamassa utilizada no Brasil evitava a alteração das características do granito, a deformação e a sujeira. O uso de tal tecnologia foi uma das inovações apresentadas no projeto que se tornou usual no mercado brasileiro após esta experiência.
As inovações vão mais além, como no uso da grelha estrutural, assunto que será exposto detalhadamente mais adiante, e que foram resultados de diversos estudos realizados pelo escritório durante um período de baixa demanda de projetos.Na busca por uma nova solução estrutural, o arquiteto questionava o sistema tradicional de estrutura, com pilares, vigas e lajes, e mostrava que havia possibilidade de se trabalhar com um sistema estrutural mais livre, imaginando um piso colocado verticalmente. O esquema de grelha já havia sido utilizado fora do país, porém com uma intenção muito mais fachadista do que propriamente de inovação estrutural.
PARTIDO e ACESSOS
Liberdade formal, porém intimamente ligada à concepção estrutural. Esse parece ter sido o raciocínio na concepção do projeto do edifício. Percebe-se neste processo uma forte herança dos princípios da arquitetura paulista, onde a inovação na estrutura apresenta-se como elemento marcante da obra.
O projeto mantém uma constante coerência entre a solução arquitetônica e seu embasamento funcional e técnico. A planta é definida por duas empenas verticais e paralelas em grelha. Buscando romper com a implantação tradicional e especulativa dos outros edifícios da Avenida Paulista os cantos de uma das grelhas foram curvados, suavizando a proximidade do edifício vizinho e trazendo esta fachada lateral para a fachada frontal (figura 2). O espaço que sobra entre estas duas grelhas é preenchido por um pano de vidro, que cria um contraste com o granito que reveste a estrutura. Isto foi possível por não haver, neste trecho, a presença de pilares.
Ferramenta