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MASP

Trabalho por Solange, estudante de Arquitetura @ , Em 22/04/2003

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Masp

Museu de Arte de São Paulo

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand que leva o nome de seu fundador Francisco de Assis Chateaubriand de Mello, paraibano de Umbuzeiro, fundador e proprietário dos Diários Associados, na época a maior rede de comunicações do Brasil. Em 1946, esse nordestino empreendedor encontro-se por acaso, no Rio de Janeiro, com o professor, jornalista, marchand e crítico de arte italiano, Pietro Maria Bardi. Nascido em La Spezia, Bardi havia organizado e dirigido galerias de arte em Roma e Milão. Assis Chateaubriand viu nele a pessoa talhada apara a realização de seu sonho. O começo foi difícil. Tudo estava por fazer. Não havia um acervo de obras de arte, nem um público com o hábito de freqüentar museus. Além disso, o ceticismo era muito forte. Praticamente ninguém acreditava no êxito da grande empreitada. Mas Assis Chateaubriand não era apenas um espírito quixotesco. Sua primeira decisão foi escolher São Paulo, e não o Rio de Janeiro, para sediar o museu Pois embora o Rio fosse a capital política e cultural do Brasil, era em São Paulo onde, segundo ele, o dinheiro poderia ser obtido.

Devíamos enfrentar, na microssociedade artística, dois tipos conflitantes : o ciumento conservador das antigas superstições acadêmicas, e o inovador das antecipações visionárias com fundo futurístico. O primeiro, opinando que a cidade já tinha sua pinacoteca, por vantagem estadual; o segundo, desfraldando as antigas reclamações de Martinetti contra os museus, ou seja, pela sua destruição. Um museu numa cidade em explosão demográfica como São Paulo?

Em 1947, São Paulo era uma cidade à procura de uma ordem urbanística, de uma arquitetura partidária do esquema do ecletismo, de escassa produção artística. Um acontecimento determinante, a vontade de sair do impasse da inércia estética, a Semana de Arte Moderna de 1922 era, então simples lembranças de reuniões turbulentas genericamente antiacadêmicas, mas sem propostas positivas de certo valor.

Sua inauguração deu-se em 02 de outubro de 1947 no segundo pavimento do prédio-sede dos Diários Associados, no centro de São Paulo. Formavam um acervo de 50 quadros, na maioria emprestados por um colecionador particular. A aquisição de novas peças foi, inicialmente, facilitada pela conjuntura do pós-guerra, quando a falta de dinheiro na Europa obrigava muitos colecionadores a se desfazer de obras de arte por baixo preço. Profundo conhecedor do mercado europeu, Pietro Maria Bardi teve um papel decisivo nesse processo. Sua maior contribuição, entretanto, reside no espírito com que o museu foi concebido. O museu deveria ser centro cultural integrado que promovesse não só exposições como atividade artísticas não-tradicionais, como o desing. Hoje, com um acervo avaliado em cerca de 1 bilhão de dólares, o Masp, mais do que um sonho que se realizou, é uma presença tutelar em nossa vida cultural.

"O projeto estrutural me parecia utópico. Era uma concepção fora dos padrões normais, a desafiar os conceitos clássicos de segurança e estabilidade. Mas esta utopia se transformou em realidade, não sem exigir de nós um enorme esforço e uma dedicação ímpar. A final, o sonho de Lina Bardi se concretizou no concreto que nós erguemos.

A técnica se incorporou, como sempre, à arte, numa esplêndida simbiose de harmonia".
(Professor e Engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz)

Lina Bo Bardi - arquiteta formada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, abril de 1989

"Eu achava aquele lugar importante para a história de São Paulo. A Paulista, naqueles anos, ainda estava intacta, com grandes jardins e suas casas dos barões do café. Era um conjunto muito bonito (...). Um dia, no começo dos anos 50, ao passar pela avenida, vi o belvedere destruído (...). Fui falar com o responsável na Prefeitura (...) para perguntar o que ia ser construído no local. Resposta: Ah! O que falta no Brasil