Relatório do Filme ‘O Germinal’
O Filme 'Germinal' refere-se ao processo de gestação e maturação dos movimentos grevistas e sindicalistas através da eclosão de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão no final do século XIX na França face à exploração da burguesia dominante.
É relevante citar que durante o período em que o romance se ambienta, a França integrava o bloco dos países pioneiros no processo de industrialização, frutos da recente Revolução Industrial. Tal período caracteriza-se ainda por rascunhar os alicerces do Direito do Trabalho, buscando na concentração do proletariado e na reação à filosofia individualista imposta pela Revolução Francesa, insumos para regularizar a relação entre funcionários e patrões.
Através dos olhos do autor, as dificuldades e a rudeza do mundo operário são retratadas através de uma família liderada por Maheu, interpretado por Gerárd Depárdieu que, diante de tanta miséria, se vê obrigado a sujeitar-se ao trabalho nas profundezas da mina de Voeux. Através de uma linguagem simples e forte, o filme nos insere no cotidiano de mineiros com pulmões negros de carvão que se definham na escuridão das minas, cumprindo jornadas excessivas de trabalho e troca da própria sobrevivência e salários baixos.
Neste contexto surge Etienne, um ex-maquinista andarilho e desempregado que vaga pelas estradas da França à procura de emprego para sanar sua fome em um país entregue à depressão econômica. Às margens das minas de Montsu emprega-se e, como novo operário, esgotado e humilhado diante de condições impróprias e inseguras de trabalho, passa a disseminar ideais reivindicatórios, estimulando o confronto entre patrões e empregados.
Aliado a Maheu, filho de uma família que a gerações trabalha e morre na mina, inicia a estimular seus companheiros a unirem-se em prol da coletividade, criando condições para a maturação de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores através de um movimento grevista. Para tanto, criam uma ‘caixa de resistência’, com a qual todos os operários contribuem visando à própria sobrevivência em caso de uma greve prolongada.
A eclosão ocorre quando, pressionados pela crise que assola o país, os burgueses (patrões) diminuem os salários e acentuam o descaso em relação à segurança e saúde de seus funcionários. Neste contexto, então, os ideais anteriormente disseminados se alimentam da indignação e da fome por direitos e geram uma greve, expondo-os todos a atos desesperados movidos pela miséria.
O autor não se limita ao simples relato do cotidiano de cidadãos infelizes e miseráveis, perdidos em um episódio de nossa história. Traz à tona, através de seus personagens, fatos e ideologias revolucionárias que marcaram época como a criação da Internacional Socialista (unidade nacional dos trabalhadores), teorias de Karl Marx, Engels e também o anarquismo através de um personagem que assume discursos laudatórios face às desgraças que ocorrem nas minas em que trabalha.
A burguesia, também retratada, segue seu cotidiano regado a grandes refeições, encontros sociais e luxuosas residências, contrastando o ‘inferno’ diário do proletariado por eles explorado.
Enfim, utilizando-se de um discurso extremamente realista, o livro e o filme acenam para a exploração e crueldade impostas por uma revolução falida, base do surgimento de movimentos grevistas e sindicalistas.
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