A Questão do Estado à Beira da Sociedades de Informação
INTRODUÇÃO
O ambiente tecnológico internacional mudou significativamente a partir da década de 1980. Paralelamente à difusão de uma grande variedade de inovações por toda a economia, evidencia-se uma mudança de paradigma das tecnologias intensivas em capital e energia e de produção inflexível e de massa (baseadas em energia e materiais baratos) para as tecnologias intensivas em informação, flexíveis e computadorizadas. Os setores industriais considerados tecnologicamente maduros nos anos 1960 e 1970 foram rejuvenescidos por mudanças tecnológicas radicais e por uma intensificação de formas incrementais de mudança. Ao mesmo tempo, uma ampla gama de novas indústrias emergiu e se tornou a base do rápido desenvolvimento tecnológico e da produção e comércio internacionais.
No centro dessa transformação está um pequeno número de áreas caracterizadas por um rápido desenvolvimento tecnológico: microeletrônica, melhorias radicais em velhos materiais, desenvolvimento de novos materiais e aceleração de desenvolvimentos em biologia molecular. Importante per se, esse núcleo de inovações desdobra-se, revelando a diversidade e a intensidade do processo de mutação tecnológica em curso em todo o setor industrial, na maior parte das atividades e tecnologias envolvidas.
Essa diversidade envolve mudanças centradas nos processos produtivos, com o conseqüente aumento da produtividade - crescente eficiência na utilização de capital, trabalho, energia e materiais. Mas também se reflete em intensas mudanças centradas em produtos que, ao lado de reforçar a eficiência dos processos, têm diminuído o tempo entre grandes descontinuidades tecnológicas, reduzindo o ciclo de vida de novos produtos, e ampliando a diversidade de pequenas diferenciações de produtos. Todos esses processos são diretamente relacionados à produção e difusão das tecnologias de informação e comunicações pela economia como um todo e afetam o chamado processo de "globalização".
O objetivo deste trabalho é o de, a partir de uma discussão das principais características do processo de globalização e do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicações, analisar a importância do conhecimento de caráter local e das capacitações a ele vinculadas para a competitividade das economias e empresas nacionais e que são objeto de políticas públicas especificamente voltadas para elas.
1. GLOBALIZAÇÃO E COMPETITIVIDADE
Acompanhando as mudanças anteriormente citadas, uma intensificação da competição entre empresas e países tem sido observada na última década, associada a um movimento denominado "globalização" e às tentativas de acelerar a introdução eficiente das tecnologias de informação e comunicações nos processos produtivos. Porém, deve-se ter em conta que, analítica e politicamente, o conceito de globalização ainda é extremamente fluido.
Tendo sido gerado nas escolas de administração americanas para se referir a uma realidade que é global somente na perspectiva estratégica das lideranças econômicas e políticas daquele país, o termo visava enfatizar, para os grandes grupos econômicos daquele mesmo país, duas características que se pronunciavam nos anos 1980. Tais características referiam-se às novas possibilidades comerciais abertas com a crescente liberalização dos mercados e às novas características do processo competitivo, na medida em que oligopólios mundiais se formavam a partir da expansão internacional das empresas transnacionais americanas, japonesas e européias.
Exemplo típico dessa visão é a proposta de separação das estratégias de internacionalização das empresas em dois tipos: uma multidoméstica onde as empresas multinacionais se posicionariam de forma a explorar diferentes mercados de acordo com suas características específicas, e outra propriamente global explorando as novas dimensões dos mercados e as diferenças entre os sistemas produtivos, de uma maneira integrada. Outros autores anunciam o surgimento de um mercado planetário em vias de homogeneização rápida e de fábricas globais, produzindo produtos globais; ou propõem a demonstração das vantagens competitivas da organização de grupos mundializados em "firmas-redes". Segundo essa visão, estaria a humanidade se defrontando com um processo para o qual seus diferentes
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