A METÁFORA DO HIPERTEXTO
O termo hipertexto foi criado por Ted Nelson, no início dos anos 60, porém desde 1945, com Vannevar Bush, haviam preocupações de como organizar informações segundo uma lógica associativa. Bush lança as bases do MEMEX, que seria um protótipo, onde muito do que se materializa atualmente nos projetos hipertextuais, estava idealizado.
O que Bush não previu, no projeto do Memex, foi a possibilidade de interconexão entre as máquinas, o que veio surgir nos anos 60, amplificando consideravelmente as aplicações hipertextuais.
Já na década de 60, Ted Nelson utilizou o termo hipertexto para designar sistemas textuais não-lineares. Seu projeto mais ousado foi Xanadu, uma espécie de livro eletrônico que se transformaria numa rede mundial de multimídia e permitiria aos usuários interagir simultaneamente. O interessante, é que, na sua idéia básica, Nelson já previa um sistema que permitisse a troca de textos, imagens, sons, diálogos e documentos. Vislumbrando, de certa forma, o que seria o embrião da hipermídia.
Hipermídia é na verdade a junção de hipertexto, mídia, Internet, enfim, Hipermídia: é a modalidade surgida da convergência entre as características do hipertexto e da multimídia, porém com possibilidade de navegação aberta para além de um suporte físico determinado. Levy defende que esse termo remete ao movimento geral de digitalização, não estando restrito apenas a determinado suporte. Assim, a idéia de multimídia se amplia na direção de proporcionar não apenas a integração de todos os signos sob um mesmo suporte, mas de estabelecer uma base comum de tratamento, processamento e distribuição, via a digitalização.
A percepção da hipermídia enquanto processo comunicacional instaurado no ciberespaço, concilia, a nosso ver, as dinâmicas existentes entre os veículos de comunicação que estão presentes na rede e os que, de alguma forma, se inter-relacionam com a mesma, mesmo quando o produto final não se apresente em formato de bits, ou esteja disseminado pela rede.
O hipertexto pode ser entendido como sendo um documento digital, composto por diferentes blocos de informações. Esses blocos interligam-se por elos associativos chamados links. E estes links também dão entrada a outros páginas, sendo de certa forma seqüenciais também. Tal organização viabilizada pela informática, permite ao usuário o acesso a informações de maneira não hierárquica.
No hipertexto, o que ocorre é um auge da possibilidade de construção de sentido por parte do leitor/usuário. É ele que, diante das possibilidades de orientação e deriva colocadas, estabelece seu próprio percurso através da interação, perfazendo trilhas textuais de uma forma única e pessoal.
Essa perspectiva coloca o ato de leitura /escritura hipertextual como uma possibilidade dada não somente para o texto escrito, mas sim a compreensão de "texto" construído como a intervenção de vários estímulos sígnicos. Sejam textuais, visuais ou sonoros.
Para caracterizar hipertextos Lévy recorre a seis princípios, que proporciona uma visão panorâmica, que, organiza, resume e amplia a idéia de rede que se pretende construir: a Metamorfose, Heterogeneidade, Multiplicidade e encaixe das escalas, Exterioridade, Topologia e Mobilidade dos centros.
O princípio de metamorfose explicita a idéia, suficientemente vivenciada por todos os que lidam diariamente com informações, de que a rede de significações que constitui o conhecimento está em permanente transformação. Já ao o sublinhar a heterogeneidade na composição dos nós/significados, Lévy chama atenção para a diversidade das conexões que podem ser estabelecidas entre dois temas ou objetos.
O princípio de exterioridade pretende caracterizar a permanente abertura da rede hipertextual e do conhecimento em construção. Na visão de Lévy, não existe dentro, só existe fora, o que também pode significar que não existe fora: interior e exterior não são nitidamente determinados, estabelecendo-se, tópica e momentaneamente, fronteiras móveis, apenas com finalidades operacionais. O que está em foco no princípio
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