A PROBLEMÁTICA DA AGRO-INDÚSTRIA AÇUCAREIRA
INTRODUÇÃO
A questão econômica fundamental da agro-indústria açucareira reside nos seus preços e no nível de remuneração permitida pela economia dirigida do setor para fazer frente aos custos de produção e a satisfação dos produtores. Sendo o preço desses produtos no Brasil estabelecidos pelo governo, o capitulo de remuneração fica restrito a discussão dos critérios adotados para a formação desses preços. O presente trabalho não cuida deste tema, que precede a qualquer estudo de viabilidade e preservação da atividade. Foi considerado, como premissa, que os preços atuais permitem a operacionalidade da atividade na região Norte Fluminense. Desta forma, passou a se constituir principal aspecto da agro-indústria açucareira do Rio de Janeiro o abastecimento pleno de canas requeridos pelas capacidades instaladas de moagens das usinas, durante o período de produção da safra.
A atual problemática do agro-indústria açucareira do Estado do Rio de Janeiro pode se decompor em três vetores: O primeiro representa o complexo industrial instalado e cuida da sua preservação; o outro, representa a comercialização da produção e cuida da sua participação estratégica-comercial permanente no abastecimento do mercado consumidor; e o terceiro, diz respeito à pesquisa, desenvolvimento tecnológico, difusão de tecnologia e extensionismo rural.
É sobre esse terceiro aspecto, pesquisa e tecnologia, que estamos desenvolvendo neste trabalho.
O Ambiente da Agro-Industrial Açucareira e o Processo de Fabricação do Açúcar
Da descoberta do Brasil ate o século XIX, o ambiente da agro-indústria açucareira desenvolveu-se, no segmento agrícola, em torno da casa grande dos fazendeiros que gozaram de grandes prestígios, e dos canaviais que circundavam as fazendas.
No segmento industrial, em torno da casa grande, dos senhores do engenho, figura central da sociedade rural daquela época, e das instalações fabris onde se fabricava o açúcar, o álcool ou aguardente, melado, rapadura, etc. Tais conjuntos recebiam o nome geral de "Engenhos de Açúcar". Mais tarde por volta de 1870, transformados em "Engenhos Centrais" e logo em seguida em "Usinas de Açúcar" que persistem ate hoje.
Nos engenhos produziam os seguintes tipos de açúcar, que poderiam ser, secos ou melados: Purgado, mascado ou de retame e um de pior qualidade, chamado açúcar de rampa, que era embalado ainda morno e melado.
Hoje, o ambiente agrícola deixou de contar com as casas grandes, que são conservadas em algumas fazendas como relíquias, aqui e ali, em estado de deterioração. Raras são conservadas habitáveis. Os proprietários atuais, de modo geral moram em cidades próximas as fazendas, e com as facilidades das vias e dos meios de transporte de hoje, quando não freqüentam diariamente as propriedades vão em períodos de dias curtos. Os canaviais constituem hoje, o ambiente rural, pontilhados por uma serie de equipamentos, maquinas, tratores, etc., substituindo aquele quadro antigo, onde predominavam os rústicos equipamentos de tração animal, a famosa carroça de boi e etc.
Na época dos engenhos, o processo de fabricação de açúcar obedecia as seguintes operações:
As canas trazidas pelos carros de bois ou no lombo de burros eram logo levadas para as pequenas moendas de madeira. O caldo recolhido em grandes tanques era levado para as caldeiras para ser cozido a fogo direto. Em seguida depois de limpo o material seguia para os tachos de cobre onde era engrossado e batido. Levado para casa de purga, o melado era posto em forma de barro, madeira ou ferro, que colocadas sobre tábuas furadas deixavam escorrer o mel que podia ser aproveitado para a fabricação do açúcar de retame ou para a destilação de aguardente em alambiques de cobre. Escorrido o mel das formas, ajuntava-se barro para branquear o açúcar. Os pães de açúcar, deste modo preparado, eram posto
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