O COBRE
Origem
O cobre, por ser encontrado em estado nativo, tornou-se conhecido desde os tempos mais remotos. O homem do Neolítico, no final da Idade da Pedra, encontrou no cobre um substituto da pedra, empregando-o principalmente em armas e objetos. Sua metalurgia foi iniciada no ano 6000 a.C.. Alguns séculos mais tarde, surgiram as ligas de cobre com outros metais, notadamente como estanho, originando o bronze, marcando o período denominado Idade do Bronze. O período anterior é conhecido como a Idade do Cobre (ou Calcolítica).
Obtenção
O cobre nativo acha-se difundido na natureza sob a forma de filões, mas, usualmente, em quantidades pequenas. É encontrado, comumente, nas zonas oxidadas dos depósitos de cobre, associado à cuprita Cu2O, à malaquita Cu2CO3(OH)2 e à azurita Cu3(CO3)2(OH)2 . Também pode ser encontrada na calcopirita (CuFeS2), sulfeto duplo de ferro e cobre. A obtenção de cobre a partir da calcopirita é feita através das seguintes etapas:
a) Trituração e concentração do minério por flotação
Este processo consiste em juntar ao minério previamente triturado uma mistura de água e óleo. O óleo envolve os minerais metálicos e a água encharca as impurezas.
Em seguida injeta-se uma corrente de ar que faz o óleo espumar na superfície, arrastando com ele os minerais metálicos, de modo que, ao se separar a espuma, têm-se os minerais concentrados.
b) Ustulação do minério
Ustulação é a queima de um minério qualquer que contenha enxofre.
2CuFeS2 + 5O2 -> 2Cu + 2FeO + 4SO2
O cobre assim obtido apresenta pureza de 97 a 99%. Uma purificação maior é feita por eletrólise, podendo alcançar 99,99% de pureza (cobre eletrolítico).
O mais importante depósito de cobre nativo conhecido no mundo encontra-se na península de Keweenaw, ao norte do Estado de Michigan (E.U.A.), na margem meridional do lado Superior. Ali o cobre ocorre em filões que cortam uma série de derrames magmáticos, em degraus, intercalados com conglomerados. O cobre serviu de cimento para unir o conglomerado, tendo penetrado, às vezes, de 30 a 50 cm nos matacões. Além do gigantesco depósito da península de Keweenaw, o cobre nativo é encontrado em New Jersey, na Bolívia (Corocora), no Arizona e na parte setentrional do México.
No Brasil, o cobre nativo tem sido encontrado, esporadicamente, em rochas basálticas. Nos basaltos de Grajaú o cobre apresenta-se sob a forma de metal nativo e de sulfetos. No município de Viçosa do Ceará, na encosta da serra de Ibiapaba, ocorrem manchas de malaquita associada aos minerais cuprita, covelita e cobre metálico.
O cobre, no Brasil, não provém de jazidas de cobre nativo. As ocorrências não têm interesse econômico, por serem esporádicas, sem qualquer regularidade e volume. É obtido de compostos diversos, que se distribuem pelos Estados e Territórios, formando concentrações que chegam a constituir reservas apreciáveis. As principais jazidas estão localizadas: no município de Jaguarari, na Bahia, onde se encontra a já conhecida mina de Caraíba; no município de Itapeva, em São Paulo, onde se localiza a mina de Santa Blandina; no município de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, onde está em operação a mina de Camaquã, que já teve vários períodos de trabalho intenso e outros de paralisação; nos limites dos municípios de Caçapava do Sul e Lavras, região onde se situa a mina de Seival; a mina Cerro dos Martins, situada a 22km da mina de Camaquã; as minas dos Andradas e da Primavera, ainda no Estado do Rio Grande do Sul. As jazidas Niquelândia, em Goiás, onde os minérios de níquel contém cobre na proporção de 0,2% a 1,7%, e as de Vazante, em Minas Gerais, onde os minérios de Zinco contêm cobre recuperável, poderão produzir quantidades de cobre que superam alguns dos depósitos conhecidos.
Aplicações
Se na Antigüidade o cobre era empregado em
Ferramenta