O CULTIVO DO MARACUJÁ
Rubiataba, abril de 2006
1- INTRODUÇÃO
O maracujazeiro é uma planta originaria de regiões tropicais, provavelmente da América Latina. O seu cultivo no Brasil tem sido bem sucedido em regiões similares, inclusive em algumas subtropicais, destacando-se os Estados do Pará, Bahia e Sergipe com as maiores áreas de plantio. A planta é naturalmente adaptada às condições ecológicas do estado de Goiás.
A sua exploração vem se expandindo com perspectivas econômicas favoráveis, em virtude das amplas possibilidades de comercialização, com opções no crescente consumo ao natural e na atratividade das indústrias de suco. É uma atividade produtiva, com longo período de safra, permitindo um fluxo equilibrado de renda mensal, aspecto contribuidor para elevar e estabilizar o padrão de vida dos produtores rurais.
Este trabalho objetiva fornecer informações técnicas racionais, necessárias ao cultivo do maracujazeiro com melhor aproveitamento dos recursos em disponibilidade.
O maracujazeiro pertence à ordem Passiflorales, família Passifloraceae, gênero Passiflora. Dentro desse gênero existem cerca de 300 a 580 espécies, segundo diversos autores, distribuídas pelas regiões tropicais e subtropicais do mundo.
2- DESCRIÇÃO DA PLANTA
O maracujazeiro é uma planta semiperene, trepadeira, lenhosa e de crescimento rápido.
Botanicamente, pertence à família Passifloraceae, do gênero Passiflora, se destacam três espécies de interesse econômico.
O sistema radicular e abundante, bem distribuído no perfil de até 60 cm de profundidade e com desenvolvimento lateral, numa pequena faixa, próxima ao tronco.
O caule pode ser cilíndrico ou com formações angulares, atingindo o comprimento de até dez metros, com presença de ramos, gavinhas e folhas verde-claras.
As folhas são alternadas, simples ou trilobadas e com aspecto lustroso na face superior. A axila de cada folha pode apresentar uma gavinha, uma ou mais gemas vegetativas e uma ou mais gemas floríferas.
As flores, normalmente, ocorrem solitárias em dada axila foliar. São hermafroditas, com três sépalas, cinco pétalas, quatro a cinco séries filamentosas, cinco estames e um ovário globoso, cuja parte superior sai um pistilo tripartido, constituindo os estiletes, cada qual terminado em grande estigma. Embora o órgão floral seja perfeito, ou seja, possuidor das partes masculinas e femininas, a auto-fecundação dificilmente ocorre no maracujá que, normalmente, necessita que a flor seja polinizada pelo pólen de outra planta.
O fruto é uma baga globosa, de cor, formato e peso variáveis de acordo com a espécie, com pericarpo envolvendo uma polpa composta de sementes e suco de acidez variável.
3- EVOLUÇÃO DA CULTURA
A produção brasileira de maracujá tem crescido gradativamente, com incremento produtivo apoiado em aumento da área plantada e pelo melhor uso de tecnologia na cultura.
O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá, destacando-se os Estados do Pará (9.500ha), a Bahia (8.000ha), Sergipe (5.000ha), São Paulo (2.700ha) e Rio de Janeiro (1.800ha), segundo o IBGE, dados de 1991.
Nos últimos anos, esta cultura vem se mantendo como uma atividade rentável para diversos fruticultores em todo o País, em função do elevado crescimento da demanda de fruta fresca, bem como do crescimento agroindustrial da produção de suco. No entanto, o comportamento das áreas plantadas varia muito de ano para ano, conforme a procura e os preços pagas pela fruta. Quando o preço é alto, grande número de produtores é estimulado a plantar, o que provoca a queda de preços. Esse problema é mundial e os ciclos são mais acentuados com as culturas anuais e semiperenes.
A tabela 1 mostra a variação anual dos preços praticados na CEASA-GO,
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