AGROTÓXICOS : A CIRANDA DO ENVENENAMENTO
O uso abusivo e indiscriminado de Agrotóxicos no Brasil configura um quadro tão monstruoso que deixaria Stephen King -famoso roteirista e produtor de filmes de horror- apavorado, senão sequioso por explorar tema tão rico. Humor negro à parte. O envenenamento sistemático da população brasileira reúne fatos criminosamente ocultos e mistificados.
O Agricultor, envolvido pelas conseqüências da simplificação radical do trato com o ecossistema agrícola, é obrigado a lançar, a cada ano, venenos mais fortes. Este ciclo é criado porque a maioria dos pesticidas utilizados em larga escala não selecionam as suas vítimas: matam pragas e combatem moléstias, mais eliminam também os seus inimigos naturais. Outro fator a ser frisado diz respeito aos mecanismos particulares de defesa, desenvolvidos por pragas, fungos e bactérias, contra os agrotóxicos.
As denuncias se multiplicam a cada dia, trazendo a tona os descalabros do descaso irresponsável: leite consumido com doses perigosas de BHC e DDT, a grande totalidade de produtos agrícolas consumidos no Brasil está contaminada.
Não, não vou sugerir ao leitor que pare de se alimentar, mas, se pudesse o faria. Análises feitas há alguns anos atrás nos Estados Unidos, mostraram que resíduos de pesticidas orgonoclorados, podem ser encontrados em doses significativas no esperma humano. Como um dos seus efeitos é o de provocar mutação genética, a humanidade pode está enveredando por um "beco sem saída": um processo de degeneração com efeitos imprevisíveis para o futuro da espécie.
Há muitos anos atrás um navio brasileiro apontou nos Estados Unidos com uma carga de um milhão de latas de carne. Uma análise técnica do produto detectou de 0,3 partes por bilhão de BHC. Recusada pelos norte-americanos, a carne retornou ao Brasil, onde foi negociada livremente. Não podemos esquecer do cantor Leandro que teve a sua morte provocada por um Câncer no pulmão suspeita-se de ter sido provocado por pesticidas, uma vez que teve a sua infância em trabalhos com a cultura do tomate, uma das olerícolas onde se utiliza mais agrotóxicos no Brasil.
Chamados de Defensivas Agrícolas pelos órgãos oficiais, são milhares formulações, diversos princípios ativos, com efeitos acumulativos, quando são apreendidos por irregularidades, não se pode enterrar ou queimar, destruir esse "lixo" demanda recursos ultra-sofisticados, caríssimos. A alternativa é fazer um buraco com concreto chumbado para acondicionamento, processo igualmente oneroso-fácil imaginar quem pagará a conta?!.
Pesquisas feitas em genética de plantas resistentes a pragas e doenças, assim como, em defensivos seletivos e biológicos parecem ser uma alternativa viável na solução dessa "Guerra Fria", porém encontra uma barreira enorme das multinacionais produtoras de tais pesticidas, por possuírem um alto custo; por outro lado, há uma grande resistência pelas empresas e produtores em utilizarem esses produtos na agricultura devido a sua pequena amplitude de ação e menor impacto frente ao alvo .
O certo, é que, nunca em toda a história, a degradação do meio a ambiente foi tão prejudicial aos ecossistemas, dos quais, por sinal, somos parte integrante (ou desintegrante?).
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