O Cultivo do Cacaueiro
Resumo
O cacaueiro (Theobroma cacao L.) é uma espécie nativa americana que possui o seu centro de origem nas margens dos rios Amazonas e Orinoco. Foi introduzido na Bahia em 1746, no município de Canavieiras, e se tornou uma das principais culturas do estado, chegando a responder por cerca de 40% do PIB baiano, mas no fim da década de 80 a região foi atacada pelo fungo Crinipellis perniciosa, causador da doença Vassoura-de-Bruxa. O fungo encontrou na região condições ideais para o seu desenvolvimento e rapidamente se alastrou, conseguindo reduzir a produção, que chegou a 380.000 t/ano, para menos de 100.000 t/ano. A queda de produção fez com que o Brasil passasse de país exportador para país importador de cacau.
As instituições de pesquisa, principalmente a CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), tiveram de buscar soluções para aumentar a produção das lavouras, e gerar plantas tolerantes à vassoura de bruxa. Os trabalhos de pesquisa realizados indicaram que a forma mais viável de combater a doença e elevar a produção das áreas era trabalhar a genética das plantas através de melhoramento, de cruzamentos e até mesmo em nível molecular (projeto genoma). Atualmente existem 10 clones lançados pela CEPLAC, para a substituição das áreas infectadas, que apresentam tolerância à vassoura de bruxa e produção superior aos cacaueiros convencionais. Estas plantas contribuíram para elevar a produção da região para cerca de 200.000 t no ano de 2001 e vêm apresentando sementes de características superiores àquelas que eram obtidas anteriormente.
Introdução
A região sul da Bahia, região cacaueira, chegou a responder por 81% da produção nacional de cacau e a possuir mais de 700.000ha plantados, mas a partir do fim dos anos 80 a cultura entrou em declínio, pois houve a introdução da doença vassoura de bruxa, causada pelo fungo Crinipellis perniciosa, que associada a outros fatores como estiagens e o ataque severo da podridão parda acabaram por gerar a maior crise que a região conheceu. A crise trouxe diversas conseqüências, em sua grande maioria negativas, como o desemprego, a descapitalização da região, o êxodo rural, favelização, mas também trouxe conseqüências favoráveis como a diversificação da lavoura.
As instituições de pesquisa assumiram o desafio de criar soluções para reverter a atual situação da cacauicultura baiana, e atualmente existem os planos de recuperação da lavoura cacaueira que consistem na recuperação de todas as áreas de cacau a partir da "clonagem" dos cacaueiros, ou melhor através dos processos de enxertia e plantio de mudas enxertadas que apresentam tolerância a vassoura de bruxa e maior produtividade que os cacaueiros convencionais.
A CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) através de suas estações experimentais como a ESARM (Estação Experimental Arnaldo Medeiros) avaliaram centenas de materiais quanto a características de tolerância a vassoura de bruxa e quanto à produtividade, atualmente existem 10 clones lançados (CEPEC 42, EET 397, TSA 654, TSA 656, TSH 774, TSH 516, TSH 565, TSA 792, TSH 1188 e VB 900). Esses materiais são mais exigentes quanto às condições de implantação e de manejo, e são essas condições que proporcionam ao material demonstrar todo o seu vigor e seu potencial produtivo. O objetivo deste trabalho é esclarecer quais os procedimentos ideais para a implantação e qual o manejo adequado que se deve dar às áreas "clonadas" para garantir uma boa produção.
Revisão de Literatura
"O cacaueiro (Theobroma cacao L.) é uma espécie nativa da floresta tropical úmida americana, sendo o seu centro de origem, provavelmente, as nascentes dos rios Amazonas e Orinoco" (Gramacho, 1992). Da região de origem o cacaueiro se expandiu por grande parte dos continentes e "atualmente, as principais regiões produtoras de cacau concentram-se na América, África e Ásia" (Dias,2001).
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