Febre Aftosa
A febre aftosa é causada por sete tipos diferentes de vírus altamente contagiosos e pode dizimar criações inteiras de bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Um dos menores vírus encontrados na natureza, o aftovírus, permanece ativo na medula óssea do animal, mesmo depois de morto. Raramente atinge o homem, que tem defesas contra o vírus. A doença causa febre alta, muita salivação e vesículas nos lábios, gengiva, língua, mamas e patas, sintomas que podem durar 10 dias. A doença impossibilita os animais de pastar, causando perda de peso e diminuição da produção de leite.
A febre aftosa é um problema mundial, afetando todos os continentes, menos a Antártica. À nível local, a doença reduz o lucro dos fazendeiros e a disponibilidade de carne para o consumo. À nível nacional, a febre aftosa reduz o crescimento econômico da pecuária e limita o acesso ao mercado internacional. É então compreensível porque muitos países tentam erradicar a doença. A erradicação da febre aftosa à nível mundial é difícil porque nem todos os países tem condições financeiras para isso ou não dependem muito da pecuária. O controle da febre aftosa é extremamente importante nas Américas devido á alta produção bovina e suína para o abastecimento mundial.
O vírus se espalha através do contato entre os animais, além da contaminação do solo e da água. O vento pode transportar o vírus até 90 quilômetros. O rebanho contaminado não afeta a saúde do homem, mas atinge o bolso do criador e provoca desastres econômicos: o gado contaminado emagrece, produz menos leite e o animal fica proibido de ir para o abate. Animais não vacinados podem até morrer.
A febre é uma barreira sanitária à exportação da carne brasileira para mercados como Estados Unidos e União Européia, que têm regras rígidas quanto à qualidade dos produtos comprados.
No momento encontram-se livres da doença a América Central e do Norte, a Europa Ocidental, Japão, Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Uruguai e Chile. O estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina formavam uma área livre de febre aftosa até as ocorrências de agosto de 2000. Os estados foram declarados, em maio de 1998, como áreas livres de febre aftosa, com vacinação, pela Assembléia Geral da Organização Internacional de Epizootias (OIE), integrada por 154 países, inclusive o Brasil. Desde 1993, esses estados não registram nenhum foco de febre aftosa, graças às campanhas de vacinação que se iniciaram na década de 1960. No RS, que tem um rebanho bovino de aproximadamente 12,5 milhões de cabeças, o trabalho começou em 1963. Três anos depois começava em SC a campanha para vacinar o rebanho estimado em 2,5 milhões de cabeças. No próximo ano, os dois estados estão aptos a obter da OIE o reconhecimento de área livre de febre aftosa, sem vacinação.
O sul do Brasil estava lutando para permanecer livre da febre aftosa, o que manteria o mercado internacional aberto para produção de carne. Após um surto da doença no Mato Grosso do Sul em 1999, pensou-se que a doença estava erradicada. Então, em agosto de 2000, a doença ressurgiu no município de Jóia, Rio Grande do Sul. A ocorrência da febre aftosa prejudicou todos os planos de negócios internacionais e causou enorme perda econômica (milhões de dólares), além dos custos para para o abate, desinfecção e controle do surto.
Num país como o Brasil, com o maior rebanho bovino mundial (170 milhões de cabeças), com o terceiro maior mercado de produção de suínos e em sexto lugar na produção de leite, a ocorrência da doença é devastadora.
Recentemente, foi criado um fundo de reserva para combate a focos eventuais da doença. O fundo é uma exigência da OIE, que
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