CID - Coagulação Intravascular Disseminada
Ribeirão Preto - 2002
Introdução
A coagulação intravascular disseminada é frequentemente considerada como uma síndrome hemorrágica sistêmica, pelo fato de ser a hemorragia um evento óbvio e não raro impressionantemente. É preciso destacar, no entanto, o "outro lado da moeda", os fenômenos trombócitos predominantemente microvasculares e eventualmente de grandes vasos que, por dificultarem o fluxo circulatório, produzem danos a múltiplos órgãos, sendo estes, na maioria dos casos, os eventos responsáveis pela morbi-mortalidade da afecção.
Apresentação Clínica
A apresentação da CID varia desde o achado incidental de alterações laboratoriais até as hemorragias e tromboses graves, nunca ocorrendo sozinha, sendo sempre conseqüência de uma doença primária. Os casos agudos e fulminantes da CID são secundário a sepse, trauma ou choque. Cursos mais indolentes oligossintomático com predominância de trombose são mais frequentes nas doenças crônicas como as neoplasias. Estas duas formas de apresentação devem ser estendidas como pólos da mesma fisiopatologia, podendo o mesmo paciente transitar o quadro clínico-laboratorial entre uma outra forma.
Pode-se portanto definir a CID como uma doença trombo-hemorrágica desencadeada por situações clínicas definidas (como por ex: acidentes obstétricos, hemólise intravascular, neoplasia metastática, leucemias, queimaduras, politraumas, doenças vasculares, próteses vasculares, doenças inflamatórias ou auto-imunes) e que apresentam evidencias laboratoriais de: 1: ativação dos fatores de coagulação; 2: ativação do sistema fibrinolítico; 3: consumo dos inibidores da coagulação; 4; evidência clínica ou bioquímica de dano ou falência orgânica.
Dentre as entidades clínicas infecciosas associadas a CID estão as infecções por bactéria gram-positivas, e negativas, as micobactérias, os vírus (Varicela-zoster, citomegalovírus, os vírus da hepatite, rubéola, varíola e das febres hemorrágicas), as riquetsias, as micoses sistêmicas (histoplasmose, aspergilose, candidíase) e as protozooses (malária)
Diagnóstico
Diagnóstico Clínico:
Os sinais clínicos e sintomas sistêmicos da CID nas infecções são variáveis e geralmente apresentam-se no contexto da sepse, como a febre, hipotensão, acidose, proteinúria e hipóxia. Sinais mais específicos que devem alertar imediatamente para a possibilidade de uma CID são as petéquias e a púrpura, bolhas hemorrágicas, cianose de extremidades, e eventualmente gangrena. O sangramento de feridas, decorrente de incisões cirúrgicas, traumas ou punções, é comum, assim como o aparecimento de hematomas subcutâneos ou na musculatura. Em média o paciente sangra por pelo menos três sítios distintos. O processo de trombose microvascular associa-se disfunção cardíaca, pulmonar, renal, hepática e do sistema nervoso central (tabela 1).
Os pacientes com CID de baixo grau (ou CID compensada) apresentam-se mais frequentemente com hemorragia subaguda e trombose difusa em vez de hemorragia fulminante aguda.
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Tabela 1 Sinais e sintomas da Coagulação Intravascular Disseminada |
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Diagnóstico Laboratorial
Diagnóstico laboratorial
Os esfregaços de sangue periférico na CID demonstram em 50% dos casos deformação eritrocitária (células em capacete, esquizócitos e fragmentação das hemáceas) resultantes da interação destas células com a malha de fibrina na microcirculação, evidenciando uma anemia hemolítica microangiopática. Reticulocitose, leucocitose com desvio a esquerda e presença de macroplaquetas indicam resposta medular com aumento de formas jovens na periferia.
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