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Osteomielete

Trabalho por Gustavo Braune, estudante de Veterinária @ , Em 22/04/2003

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I. INTRODUÇÃO

A discussão sobre a definição e descrição de osteomielite é bastante clara quando da análise da própria terminologia.

Como todo raciocínio guiado por conceituação se submete a ela, o termo utilizado deve ser rediscutido pois ele pretende reconhecer o processo que se inicia do periósteo à medula.

A grande maioria dos autores descreve o processo como infeccioso conseqüente a traumas , por solução de continuidade ou secundariamente às intervenções cirúrgicas.

A visão fisiopatológica do início do processo no sentido medula/ córtex começou a ser reconhecida na pediatria veterinária, em decorrência de processos infecciosos em neonatos nos quais os microorganismos encontram meio ambiente favorável na medula diafisária dos ossos longos. Uma circulação "Portal" e o substrato sinovial garantem essa predileção.

O caso clínico aqui colocado é bastante oportuno à reflexões tais como:


I.1. Um relato clínico Veterinário deve estimular a Revisão de Conceitos errôneos pré-existentes de uma relação hierárquica entre seres humanos e animais.

GUDRUN KRÖKEL BURKHARD cita em seu livro "Novos Caminhos de Alimentação" (vol. 1, ed. CLR Balieiro) no capítulo 1 entitulado de "a situação da natureza até os dias de hoje."

... "É o EU que faz com que o ser humano, além da consciência, também tenha autoconsciência, de modo que ele não age apenas para satisfazer seus instintos mas de acordo com atos coletivos conscientes."

..."Poderíamos dizem então, que não somente o reino animal, mas o vegetal e mineral ficaram para trás como resquícios de estágios da evolução humana e que consolidaram em suas formas."

Em contrapartida há indivíduos da espécie humana que revisam essa questão, utilizando os atributos e responsabilidades que lhe foram doadas pela vida: tornam a iniciativa muito mais do domínio da situação que o domínio da própria natureza.

"No que concerne o homem, Cuvier (Geoge Cuvier, 1769-1932), anatomista francês) aceitou o pronunciamento cartesiano de que o homem é qualitativamente diferente dos outros animais. Mas ao contrário de Aritósteles e dos primeiros anatomistas, ele rejeitou a idéia de que zoologia consistia na comparação do animal "degradado" com o homem "perfeito"- Ernst Mayr, the Growth of Biological Thought.

"A afirmação - ou melhor, a demonstração científica que o homem não foi uma criação separada [de Deus] mas uma parte do mundo animal criou um tremendo rebuliço. Isto entrava em conflito com a Igreja Cristã e até com o dogma da maioria das escolas filosóficas. [Darwin] encerrou a visão antropocentrista do mundo e iniciou uma reorientação da posição do homem na natureza"- Ernst Mayr, professor de Zoologia, emeritus, da Universidade de Harvard.

"Na ciência contemporânea nenhum cientista sério aceita uma diferença qualitativa entre o homem e os animais - a distinção zoológica é de grau e não de qualidade"- Stephen Jay Gould, professor de geologia, biologia e história, pela Universidade de Harvard.

"Não existe o "mundo humano", o mundo é um meio ambiente ecológico onde todas as espécies devem interagir, ou pagar pela sua insensatez - e a pena máxima é a extinção"- Bjark Rink.


I.2. O caso clínico teve uma fonte de compreensão etiológica e fisiopatológica mais ampla e livre permitindo um diagnóstico e tratamentos de visão orgânica sistêmica, com o qual atribuo todo o sucesso do mesmo.


I.3. Que o estudo da medicina Veterinária através da antropologia (Anthropus = Homem e Sophia = Sabedoria; é uma estudo do homem sobre si mesmo e sobre suas relações com o universo), seja entendido como referência e fonte de inspiração para elucidação de situações de desconforto físico, anímico ou espiritual da humanidade. Como uma retomada da posição humana frente a natureza.


II - DESCRIÇÃO DO CASO


II.1. Paciente

Espécie: Eqüina
Nome: Nepal
Raça: Mangalarga Manchadon
Sexo: Masculino
Idade: 07 Anos

> Exame clínico inicial: 27/05/99