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Suprimento Sanguíneo para Útero e Ovários

Trabalho por Rodrigo Garziera, estudante de Veterinária @ , Em 22/04/2003

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Sensibilidade para os Cegos

"Ninguém, talvez, a não ser o sacerdote, conheça melhor do que o advogado a vida humana, sob seus aspectos mais variados, mais dramáticos, mais dolorosos, por vezes os mais defeituosos, mas não raro, também os melhores". (Papa Paulo IV, em pronunciamento aos membros do Conselho da Union Internacionalle des Avocatis).

As prisões nos grandes centros urbanos de nosso país se tornaram, ao longo de sua existência, um verdadeiro horror, expressão esta usada pelo personagem de Marlon Brando, em Apocalypse Now, para definir o que foi aquela guerra no Vietnã. Assim como na guerra, nossos presídios deslocam os limites entre a civilização e a barbárie na mais pura degradação e corrupção da alma. Toda pessoa condenada a permanecer confinada nestas prisões por um certo período, vê desaparecer rapidamente dentro de si o que lhe restava de dignidade humana. Até mesmo os que têm breve passagem pelo cárcere, não escapam da terrível sentença. Nossos presídios são uma versão moderna da era medieval.

Somente os insensíveis não sabem que a Prisão é uma instituição falida em seus mais de 150 anos de existência, que nunca recuperou criminosos e acabou se tornando uma escola de crimes. Michel Foucault, pensador e epistemólogo francês contemporâneo, dissecou este problema em sua obra "Vigiar e Punir - O Nascimento da Prisão": "Conhecem-se todos os inconvenientes da prisão, e sabe-se que é perigosa quando não inútil. E, entretanto, não 'vemos' o que pôr no seu lugar. Ela é a detestável solução de que não se pode abrir mão".

O sistema prisional não funciona e as reformas necessárias não são implementadas. É por isto que vem ocorrendo um certo abrandamento das punições por parte de nosso legislador e, conseqüentemente, pelo Judiciário. O caráter pedagógico da Lei fica sem sentido quando se envia delinqüentes para tão desumanas prisões. A Lei passa a ser uma odiosa vingança da sociedade. Mas o fato mais grave que incentiva a delinqüência é a impunidade para quem tem poder neste país. O colarinho branco se protege com a legislação e o crime organizado compra sua liberdade com a corrupção.

São inúmeras as causas da violência, mas qualquer pessoa medianamente esclarecida sabe que a exclusão social é a maior causa disto que vivemos hoje. Toda essa discussão em torno da escalada e banalização da violência está com seu norte distorcido. Mesmo assim, os verdugos de plantão, apoiados pelo sensacionalismo dos meios de comunicação, aproveitando o atual momento de fragilidade da sociedade civil brasileira, pregam mais endurecimento e violência. Querem mais efetivo policial, mais penas e mais presídios, imaginando que violência policial aliada à severidade judicial resolverá a situação caótica em que nos encontramos. Pegando carona nesta ignorância, o Estado se aproveita da situação, tentando canalizá-la no sentido de obter mais poder sobre o cidadão, e, por conseguinte, sobre os direitos individuais, criando um estado policial, onde qualquer "autoridade fardada" poderá cometer equívocos e abusos, pressionado por uma opinião pública equivocada, tudo em nome da segurança. Daí, para a tortura oficial será um passo.

O problema é falta de vontade política. Os políticos legislam em causa própria. E aqui cabe perguntar quais os interesses do legislador em construir uma legislação pífia, que só pune ladrão de galinha. Acontece que neste país há incontáveis bandidos "trabalhando na legalidade", que sempre escapam da mão da justiça. Seria porque dão sustentação a certos grupos de poder que acabaram se tornando mais fortes que o próprio Estado? Diante desta impunidade dos poderosos e acossada pela violência das ruas, cada vez mais se levantam vozes iradas que querem colocar a escória da sociedade em masmorras desumanas ou sob lápides de cemitérios, tudo isso, é claro, feito pela polícia, eleita para fazer o trabalho sujo. Matar em nome da