Carbúnculo Hemático
Introdução
O Carbúnculo Hemático é relatado na Bíblia como à quinta praga do Egito no século XV a.C., uma epidemia que grassava nas margens do rio Nilo atingindo cavalos, jumentos, camelos, bovinos e ovinos como cita livro de Êxodo, capítulo 9, vers. 4 e 6. Lá descreve que a doença provocou tumores nos homens e nos animais e foi espalhada através de "pó da terra". Na Idade Média esta doença produziu episódios epidêmicos avassaladores por toda a Europa. A suspeita de que esta doença era propagada dos animais para os homens começou no final do século XVI. Cientificamente esta doença foi descrita por Fournier em 1769 na publicação chamada de "Charbon malin", onde a doença é descrita nos animais e no homem.
Em 1849 os bacilos carbunculosos foram observados no sangue de vacas mortas pela doença de Pollender que, deixou duvidas sobre a real causa da morte, publicada em 1855, mas descreveu os "corpúsculos reticulares", sem associar a um fator etiológico especifico. Outros autores depois descreveram a capacidade de replicação experimental da doença e a presença dela em sangue de outros animais, porém o grande avanço quando se fala nesta doença se deu com Roberto Koch, em 1876, relatou em sua investigação a formação de esporos pelo carbúnculo. E logo após, Louis Pasteur dedicou-se a vacinas eficazes, o que contribuiu muito ao combate do carbúnculo. (BEER, 1999)
O Carbúnculo Hemático possui varias denominações, entre elas Antraz, Antrax e Carbúnculo Bacteriano. Antraz é um termo muito antigo no Português, o dicionário Houaiss o data de 1536. Até o século XIX era usado para designar não a doença, como hoje, mas várias espécies de abscessos e furúnculos de aparência maligna, cujas causas (as mais diversas, como hoje sabemos) a medicina da época ignorava completamente. O termo vem do Grego anthrax, que significa carvão, pois a infecção pode causar cicatrizes negras na pele. Desde seu ingresso no idioma, vem sendo escrito com "Z" final. A forma "anthrax" que aparece na mídia é do Inglês.
A preocupação atual com esta doença atualmente se deve aos ataques terroristas que se espalharam pelo mundo, principalmente no ano de 2001. Com este trabalho queremos esclarecer melhor os aspectos etiológicos, epidemiológicos, clínicos e a forma de diagnosticar a doença. Também iremos abordar como ela pode ser controlada e prevenida.
Carbúnculo Hemático
Enfermidade com infecciosa super-aguda e septicêmico-hemorrágica, e com considerável potencial zoonótico, sendo considerada doença de notificação obrigatória ao serviço veterinário oficial.
1. Etiologia
O Bacillus anthracis é a causa especifica da doença, e as cepas patogênicas apresentam três fatores virulentos por codificados plasmídio: cápsula poli-D-glutâmica, que ajuda na resistência aos fagócitos e toxinas letal e do edema, também chamados por alguns autores de Fator II, Fator III e I, respectivamente. Sendo o Fator III e I exotoxinas produzidas pela sua forma vegetativa. Está bactéria é um bacilo, gram-positivo, aeróbio, esporulado, capsulado, imóvel, não hemolítico. (BEER, 1999 e RADOSTITS, 2000)
Em ágar sangue o cultivo deste bacilo forma colônias grandes, branco-acinzentadas achatadas, de bordos irregulares, superfície rugosa, em 24 horas de incubação a 37ºC. A cápsula é visível em cultivos em meio ágar soro, quando cultivado em 10 a 20% de CO2. (OLIVEIRA, 2000)
Logo após a morte do animal ocorre uma intensa bacteremia chegando a 109 bactérias/ml de sangue as quais invadem a carcaça e como conseqüência todos os líquidos orgânicos tornam-se altamente bacilíferos, incluindo a urina e as fezes. Os bacilos ao entrarem em contato com o ar esporulam contaminando o meio ambiente. Esses em condições favoráveis de solo, temperatura e umidade germinam produzindo novas gerações determinando
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