Aflatoxicose
Introdução
A suinocultura, assim como as demais atividades do agronegócio brasileiro, têm a cada ano menores índices de retorno do capital investido, o que gera a necessidade de não se ter perdas em nenhuma das etapas do processo de produção, para obter um alto índice de produtividade. Os aspectos a serem considerados para evitar a perda na produção, dizem respeito à sanidade, nutrição, reprodução e manejo.
Dentro do que diz respeito à parte de sanidade, queremos destacar no decorrer deste trabalho uma micotoxicose causada pela aflatoxina produzida pelo fungo Aspergillus flavus e/ou Aspergillus parasiticus. Destacamos, que ela também se encaixa (dentro do contexto de produção) na cadeia de produção de carne suína, no aspecto de manejo nutricional, visto que a mesma é propagada através de grãos de cereais contaminados.
Esta doença foi descoberta nos anos 1960-1962 na Inglaterra, Hungria e Áustria, causando a morte de perus, o que deu o nome de "doença X dos perus". Na Hungria houve a perda de quase a totalidade dos patos criados intensivamente. Somente em 1965 foram registradas as primeiras aflatoxicoses diagnosticadas com segurança em perus. Na Inglaterra também houve a contaminação de bovinos e suínos nesta época. (Beer, 1999)
Segundo Bellaver (2006), o milho é o insumo mais utilizado na fabricação de rações para suínos, chegando a representar 40% dos custos totais da produção suína, o que nos revela que ele é o cereal mais utilizado na alimentação destes animais. Considerando que aflatoxicose ocorre principalmente em grãos de milho, devido ao manejo de colheita e armazenagem, estaremos discutindo neste trabalho sobre vários aspectos relacionados a esta importante doença dentro da suinocultura.
Intoxicação por Aflatoxinas
As aflatoxinas são metabólicos tóxicos produzidos pelos fungos Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus, que contaminam grãos de cereais armazenados, e podem ser encontradas na ração de animais em que são utilizados estes cereais contaminados. (Beer, 1999 e Sobestuansky, 1999)
1. Etiologia:
Segundo Beer (1999), são conhecidas oito aflatoxinas, sendo designadas com as letras "B" e "G" conforme suas propriedades fluorescentes, azul ou verde sob a influência da luz ultravioleta. Os fungos A. flavus e A. parasiticus produzem quatro aflatoxinas de maior importância, as toxinas B1 e B2, que sob luz ultravioleta emitem intensa luz azul e as G1 e G2, que emitem luz verde sob as mesmas condições. Ainda existem as aflatoxinas M1 e M2, que são segregadas do organismo animal, sobretudo pelas vacas de leite, como subprodutos metabólicos gerados durante o desdobramento da aflatoxina, sendo chamada de lactoxina. (Mallmann, 1994 e Beer, 1999)
A estrutura fundamental da molécula da aflatoxina é um núcleo de cumarin-difurano. Beer (1999) relata a semelhança entre as toxinas B1 e M1, sendo que a toxicidade delas frente a toxina B2 esta na proporção de 5:1, e quando comparada a G1 é de 2:1, já com a G2 esta proporção é de 10:1, conforme a DL50 para patinhos de um dia (ver tabela 1).
Tabela 1. D L50 para patinhos com um dia de idade (com base em 50g de peso vivo).
Aflatoxina B1 B2 G1 G2
DL50 18,2 84,8 39,2 172,5
(Adaptado de Beer, 1999)
Quando a umidade do milho estiver com índices em torno de 17%, esse fica mais sujeito à contaminação por aflatoxinas, que pode ocorrer tanto na lavoura, quanto durante o processo de colheita e armazenagem. As aflatoxinas são incolores, inodoras e não altera o sabor dos alimentos, o que torna o controle e diagnóstico de cereais contaminados mais trabalhoso, conforme veremos mais adiante. (Sobestuanky, 1999)
2. Epidemiologia:
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