Laminite Veterinária
A laminite é uma doença de todas as espécies particularmente do cavalo, caracterizado por dano à lâmina sensitiva do casco. Clinicamente ela se caracteriza por uma séria claudicação com calor e dor, degeneração, necrose e inflamação das lâminas dérmicas e epidérmicas da parede do casco.
A laminite é comumente seqüela de distúrbios digestivos e de outros distúrbios causadores de endotoxemia e da elaboração de mediadores inflamatórios. A menos que sejam tomadas medidas preventivas, a laminite freqüentemente ocorre após a torção do cólon, enterite, sobrecarga por cereais, pleuropneumonia e metrite séptica e retenção placentária pós-parto. Em cavalos a laminite é algumas vezes observadas após mudanças na alimentação, ingestão excessiva de água gelada após exercícios intensos, pastagem em capins contendo elevados teores de carboidratos disponíveis, ou a alimentação persistente com ração rica em concentrados. A laminite também pode ser precipitada em cavalos através da administração de elevados níveis de corticosteróides, o que diminui a síntese protéica e potência a vasoconstrição digital. A excessiva sustentação de peso no membro de apoio contra lateral pode produzir laminite, da mesma forma que trabalho pesado em piso duro, ou a extrema exaustão e desidratação. Em bovinos ,a laminite é mais comumente observada logo após o parto e em bovinos jovens (4 e meio a 6 meses de idade ) que se encontram em regime de engorda com sementes ricas em nutrientes e que são mantidas em superfícies de concreto.
A laminite é comumente considerada como manifestação local de uma séria de distúrbio que causam alteração metabólica generalizada.
Visto que as lâminas epidérmicas suspendem a falange distal e portanto o peso corporal do cavalo, a degeneração laminar destrói o mecanismo de suspensão e permite que as forças de sustentação do peso corporal do cavalo empurrem a falange distal ventralmente. A insuficiência do mecanismo suspensório laminar provoca claudicação dolorosa.
A integridade do mecanismo suspensório laminar depende da manutenção de proteínas nas redes citoesqueléticas e junções intercelulares das células laminares epidérmicas. Este é um processo dependente de energia, e os distúrbios que reduzem a perfusão laminar, ou reduzem a síntese de proteínas têm um potencial de iniciar a degeneração laminar.
As laminas e sua vasculatura de sustentação estão confinadas na interior da rígida muralha do casco, os fatores causadores da tumefação tecidual, como a inflamação e o edema, teoricamente podem aumentar a pressão tecidual intersticial além da crítica pressão de fechamento capilar, produzindo uma síndrome de compartimento e isquemia funcional do cório. A abertura dos desvios arteriovenosos no interior do cório ocorre durante a laminite por excesso de carboidrato, mas tais desvios não foram demostrados como o principal fator produtor da degeneração laminar.
A laminite é freqüentemente seqüela de moléstias produtoras de infecção gram- negativa e endotoxemia. A excessiva ingestão de cereais ou outros alimentos contendo elevado teores de carboidratos disponíveis supostamente pode produzir endotoxemia, sendo a causa mais comun de laminite aguda. A sobrecarga de carboidratos resulta num excessivo crescimento das bactérias no cólon, acidose lática, morte das bactérias no cólon com concomitante liberação de endotoxina. A degeneração da mucosa do cólon é tida como capaz de permitir que a endotoxina tenha acesso à circulação portal.
O mecanismo de ligação entre a endotoxemia e a degeneração laminar não foi totalmente descoberto.
Na sintomatologia clínica a laminite pode-se desenvolver como uma doença aguda e ser seguida por recuperação ou persistência de um estado crônico, ou se originar em sua forma branda desde o início. Em casos agudos há dor intensa em todas as quatro patas; em casos esporádicos apenas os membros posteriores são afetados. Os sintomas clínicos correspondem a manifestação de dor e compreendem uma expressão de grande ansiedade, tremor muscular,
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