Paratuberculose
Definição e etiologia® A paratuberculose é infecção micobacteriana granulomatosa crônica do trato intestinal dos ruminantes, que se caracteriza pelo o início tardio e por variável expressão dos sintomas clínicos. A moléstia clínica, moléstia de Jonhne, se apresenta no bovino adulto com diarréia intermitente crônica e perda de peso. Em pequenos ruminantes, a perda de peso é o principal sintoma. O diagnóstico e o controle são difíceis, por causa da natureza crônica desta moléstia, e pela ausência de testes definitivos para a detecção da infecção precoce.
Mycobacterium paratuberculosis, o agente casual, é um bastonete intracelular acidoresintente. O microrganismo é encontrado em aglomerados no interior dos macrófagos, na lâmina própria intestinal, e nas fezes de ruminantes infectados. M. paratuberculosis é diferenciado de outras micobactérias saprófitas e infecciosas por seu crescimento muito lento in vitro, e por exigir meios complexos suplementados com micobactina, um agente quelator do ferro, de origem micobacteriana.
M. paratuberculosis partilha antígenos de parede celular comuns com outras espécies de micobactérias e outros gêneros, inclusive Nocardia e Corynebacterium. Estudos de hibridação do DNA demostram íntima homologia com Mycobacterium avium spp. e possível relação com isolados micobacterianos de alguns casos de moléstia de Crohn em seres humanos.
Sintomas clínicos e diagnóstico diferencial® Há quem se refira a paratuberculose como moléstia espectral. A maioria dos animais expostos a M.paratuberculosis se tornam portadores inaparentes sem a moléstia clínica. Esta população elimina intermitentemente os microrganismos, em níveis geralmente baixos. Alguns animais são depurados completamente da infecção, e em outros, a infecção leva a moléstia terminal.
A idade típica de surgimento dos sintomas clínicos é dos 2 aos 5 anos, com faixa de 4 meses até 15 anos. Nos estágios iniciais da moléstia clínica, os animais afetados em geral têm bom apetite e sintomas vitais normais. Uma diarréia crônica ou intermitente, com concomitantes perda de peso e subdesenvolvimento são sintomas clássicos da paratuberculose. A diarréia foi descrita como de consistência homogênea, sem sangue, fibrina, ou odor incomum. A febre pode ser achado intermitente.
Nos estágios mais avançados, podem ser presentes: anorexia, desidratação, debilidade, e edema ventral. Os animais assim afetados ficam gravemente debilitados, e morrem. O curso clínico pode ser de somente 2 semanas, mas em geral se prolonga, na média, por 3 a 6 meses, ou mais. Os sintomas podem ser intermitentes, com períodos de remissão que geralmente ocorrem durante a gestação. Fatores de tensão como o parto, grande produção leiteira, e má nutrição podem precipitar o surgimento da moléstia.
Embora um número relativamente pequeno de bovinos infectados se perca devido à moléstia clínica, as infecções subclínicas podem exercer importante impacto econômico sobre rebanhos afetados. Freqüentemente os animais infectados são descartados, devido a baixa fertilidade, redução na produção leiteira, ou por aumento na incidência da mastite e de outras moléstias secundárias.
Em bovinos, a paratuberculose deve ser diferenciada de outras causas de diarréia crônicas, inclusive parasitismo, diarréia viral bovina crônica, salmonelose, e amiloidose renal.
Os diferenciais para perda de peso em pequenos ruminantes são: abcessos internos causado por Corynebacterium pseudotuberculosis , parasitismo intestinal crônico, moléstia hepática crônica, e infecção retroviral.
Tanto em bovinos quanto em pequenos ruminantes, deverão ser descartadas as causas nutricionais de perda de peso, seja por deficiência de macronutrientes, seja por deficiência de oligominerais.
Patologia clínica® Poucas alterações na química sangüínea ou nos parâmetros hematológicos estão consistentemente associados á paratuberculose. Em casos avançados, as alterações observadas são variáveis, e freqüentemente não referem a gravidade da moléstia clínica. Hipoproteimenia, com decréscimos na albumina com anemia podem estar presentes na paratuberculose avançada. As proteínas plasmáticas podem estar normais, ainda quando esteja presente hipoalbuminemia.
Fisiopatologia® Não há toxinas identificadas e nem fatores de
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