Búfalos: Castrar ou Não Castrar
Lages(SC), 25 de maio de 2004.
INTRODUÇÃO
A castração de machos consiste na retida total ou parcial dos órgãos responsáveis pela reprodução no macho: os testículos. Para entendermos melhor o que a castração traz como conseqüências precisamos primeiramente conhecer quais as funções que os testículos possuem no organismo masculino.
A principais funções dos testículos é a espermatogênese e espermiação, que é a produção dos gametas masculinos chamados: espermatozóides. Outra função desempenhada pelos testículos é a produção de andrógenos, entre eles a testosterona, o mais conhecido dos andrógenos. A função de maior relevância, dentro de nosso contexto, desempenhada pelos andrógenos é manutenção das características sexuais secundarias, isto é, as configurações físicas e anatômicas que são singulares aos machos de uma espécie. Esta função esta diretamente relacionada ao efeito anabólico protéico, que promove retenção de nitrogênio e aumento do número e espessura das fibras musculares, papel também desempenhado pelos andrógenos. A conduta sexual do macho, o libido, a calcificação dos chifres, agressividade, engrossamento dos músculos das cordas vocais da laringe e marcação de território com substâncias conhecidas como feromônios são outras funções relacionadas aos andrógenos, em especial a testosterona, que é o principal hormônio sexual masculino.
Depois de feita esta analise acerca das funções desempenhada pelos testículos, principal órgão sexual masculino, veremos adiante quais os efeitos que a castração de machos bufalinos traz consigo, analisando a sua aplicação dentro do manejo de produção de carne bufalina. De inicio o que se pode concluir é que todas as funções descritas acima serão inibidas total ou parcialmente, pois é de conhecimento que outros órgãos produzem cerca de 5% dos andrógenos totais circulantes no organismo masculino, como exemplo: a glândula adrenal. No decorrer estaremos descrevendo e analisando o ato e os efeitos que castração de machos acarreta na produção de carne de bufalinos e no manejo geral de uma propriedade de produção de búfalos.
Búfalos: Castrar ou Não Castrar?
A criação de búfalos vem aumentando anualmente em nosso país, sendo citado pela ANUALPEC (2003) como a criação que mais cresce no país, quebrando o conceito de que estes, são animais selvagens e agressivos, o que segundo consta nas diversas bibliografias que tratam sobre a bufalinocultura, não é verídico, citando esta espécie de bovídeo como animais dóceis, podendo inclusive ser manejados por mulheres e crianças. Alem é claro apresentarem uma elevada fertilidade, boa conversão alimentar, uma lendária rusticidade e longevidade, tendo produtos similares aos dos bovinos com custo menor de produção..
Com o crescimento da bufalinocultura cresce a preocupação pela especialização em praticas de manejo utilizadas nesta criação, tendo em vista que a bufalinocultura é uma alternativa de produção bastante rentável dentro da pecuária nacional. Dentre estas praticas esta a castração, que será o escopo de nossa discussão. A castração tem como objetivos facilitar o manejo dos machos destinados à engorda, obter uniformidade de carcaça e melhorar a qualidade da carne produzida. Os machos inteiros apresentam maior ganho de peso, carcaça com menor teor de gordura e marmoreio, e se classificam em grau abaixo do de castrados.
Quanto a palatabilidade, os testes indicam pequena diferença a favor dos castrados. A castração de búfalos tem como principal objetivo de tornar os animais mais calmos para a engorda em confinamento e a campo, evitar coberturas indesejadas, produzir carne com essa pequena diferença a favor dos machos castrados na palatabilidade.
Em contraposição ao aspecto da palatabilidade da carne dos animais castrados esta o fato de que a carne destes possui um percentual maior de gordura em relação aos machos inteiros, que possuem alem do menor teor de
Ferramenta