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Picornavírus e a Febre Aftosa

Trabalho por Luiz Adolfo Vargas de Oliveira, estudante de Veterinária @ , Em 22/04/2003

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PICORNAVÍRUS e a Febre Aftosa


PICORNAVÍRUS

CARACTERÍSTICAS E PROPRIEDADES

Os picornavírus representam uma imensa família de vírus com relação ao número de membros, mas é uma das menores em relação ao tamanho dos vírions. Esta família engloba 2 grupos principais: os enterovírus e os rinovírus.

Muitos picornavírus provocam doenças em seres humanos, como a paralisia (incompleta e reversível), hepatite, lesões cutâneas, doenças respiratória, conjuntivite, etc.

Os enterovírus de origem humana incluem os seguintes tipos: poliovírus (3 tipos – poliomielite), vírus Coxsackie A (23 tipos – meningite), vírus Coxsackie B (6 tipos – meningite), vírus echo (34 tipos – diarréia). Enterovírus também são encontrados em muitos animais, inclusive em gado bovino, suínos e camundongos, causando, por exemplo, febre aftosa. Os rinovírus humanos incluem mais de cem tipos antigênicos, incluindo o resfriado comum. Incluem ainda como hospedeiros os equinos e os bovinos.

Os enterovírus são habitantes temporários do trato alimentar humano e podem ser isolados da garganta ou das porções baixas do intestino. Por outro lado, os rinovírus são isolados sobretudo em material da garganta e do nariz.

O vírion dos enterovírus e dos rinovírus consiste em um capsídeo com 60 subunidades, cada qual com quatro proteínas (VP1 a VP4) dispostas em simetria icosaédrica em torno de um genoma constituído por um filamento único de RNA de sentido positivo. As três maiores proteínas virais (VP1-VP3) estão envolvidas com neutralização de infecção viral. Os enterovírus são estáveis em pH ácido durante uma a três horas, porém são termolábeis. Os rinovírus são termoresistentes e acido-lábeis. No quadro um encontramos propriedades importantes dos picornavírus.


Quadro 1

Vírion: Icosaédrico (lhe confere estabilidade), cerca de 27 nm de diâmetro, contém 60 subunidades;

Composição: 30% RNA e 70% proteína;

Genoma: RNA de filamento único, linear, de sentido positivo (funciona como RNA-m), infectante;

Proteínas: Proteínas superficiais VP1 e VP3 são os principais locais de ligação de anticorpo. A VP4 está associada com RNA viral;

Envoltório: Nenhum;

Características notáveis: A família é constituída por muitos membros que infectam seres humanos e animais, provocando várias doenças.


FEBRE AFTOSA (AFTOVÍRUS DO GADO)

CONCEITUAÇÃO E HISTÓRICO

A febre aftosa é uma doença de animais, aguda e contagiosa, também chamada aftosa. É conhecida desde 1514, quando foi descrita pela primeira vez com um surto ocorrido na Itália. No Brasil foi constatada pela primeira vez em 1896 em MG. Dentre as várias espécies sensíveis, as mais atingidas são a bovina e a suína, mas também ovinos e caprinos, além de vários animais selvagens. Nos equídeos ocorre uma doença com sintomatologia idêntica: trata-se da aftosa dos cavalos. É endêmica no México e Canadá e rara nos EUA.


SINAIS CLÍNICOS

No homem, se caracteriza por febre, salivação e vesiculação das muscosas da orofaringe e da pele nas regiões palmares e plantares, e dos dedos das mãos e dos pés. Nos animais, caracteriza-se por estado febril inicial, seguido por erupção vesicular, que se localiza nas membranas mucosas e na pele, particularmente na cavidade bucal, tetas e espaço interdigital.

Na camada epitelial da língua, o vírus provoca aparecimento de um ou várias vesículas (aftas). Das vesículas, o vírus passa para o sangue, provocando viremia, que se caracteriza por acentuada elevação de temperatura. O sangue distribui o vírus por todo o organismo, localizando-se preferencialmente no epitélio das mucosas e da pele, onde aparecem as vesículas secundárias. A mucosa da cavidade bucal, a língua, as tetas e o tecido interdigital são os pontos de eleição do vírus. O período de incubação (estado oculto) varia de 2 a 7 dias. Nas figuras A, B, C, D e E observamos os sintomas.


O AGENTE CAUSADOR E FATORES QUE O INATIVAM

A aftosa é causada por um enterovírus, como foi demonstrado em 1897, um dos