AMÁLGAMA ODONTOLÓGICO: aspectos clínicos
1- Introdução
O amálgama tem sido o material restaurador odontológico de maior uso nas últimas décadas. A suas principais características são seu baixo custo, grande durabilidade, assim como a facilidade técnica na sua confecção. Por outro lado, a falta de adesão à estrutura dentária, a possibilidade de corrosão e fraturas, assim como a possibilidade de reações de hipersensibilidade aos seus componentes são fatores que podem prejudicar o sucesso de restaurações de amálgama.
O profissional deve atentar para os sinais clínicos que podem contribuir para uma avaliação do sucesso das restaurações ou da necessidade de substituições de restaurações antigas.
Dessa forma, esse trabalho tem o objetivo de revisar os principais aspectos relacionados com a avaliação clínica das restaurações de amálgama. Serão abrangidos pontos como hipersensibilidade, corrosão e galvanismo, reparos e substituições, além das principais características do material e diferentes formas de confecção, definindo os principais fatores que podem levar ao sucesso do tratamento restaurador com amálgama.
2- Revisão de Literatura
2.1- Considerações gerais sobre o amálgama: histórico, composição e propriedades
SILVA e SANTOS (1997) afirmam que o amálgama dental tem sido o material restaurador mais utilizado na Odontologia desde o século dezenove, devido às suas propriedades de manipulaçäo, performance clínica favorável, baixo custo e biocompatibilidade com os tecidos bucais.
Segundo MJÖR (1999), o amálgama dental é uma mistura principalmente de liga prata-estanho e mercúrio. Foi o material mais freqüentemente usado nos últimos 150 anos .
De acordo com GIL et al. (1999), o amálgama apresenta um perfil melhor do que as resinas compostas com relação à resistência à abrasão, relacionado, provavelmente, com a falência da matriz polimérica deste último material. Entretanto, o amálgama exibe corrosão.
Segundo HOSHI (2000), a amálgama é um material altamente resistente, insolúvel aos fluidos bucais, de baixo custo e de fácil manipulação, porém a sua desvantagem é a falta de adesão à estrutura dentária, associada à microinfiltração marginal.
LEINFELDER (2000) afirma que os elementos constituintes do amálgama servem como um agente bacteriostático.
De acordo com BARATIERI (2000), entre todos os materiais restauradores o amálgama parece ser o menos sensível à técnica. O amálgama, idealmente, só deve ser empregado em cavidades conservativas, ou seja, que apresentam pequena abertura vestíbulo-lingual e profundidade. Quando a coroa clínica encontra-se parcialmente destruída pode-se utilizar os pinos retidos na dentina como forma de aumentar a resistência e retenção das restaurações e assim ampliar as indicações do amálgama como material restaurador. Neste caso, também podem ser preparados sulcos, fendas e caixas retentivas na estrutura dental remanescente.
2.2- Amalgama adesivo ou retido por pinos
Segundo MEZZOMO (1993) as formas indiretas de retenção do amálgama à estrutura dental envolvem o emprego de pinos e/ou adesivos resinosos. As formas diretas envolvem a execução de múltiplas caixas retentivas ou canaletas parciais ou circunferenciais na dentina. Os diferentes tipos de retenção parecem se eqüivaler, porém os sistemas de retenção indireta que empregam os pinos devem, preferencialmente, ser utilizados quando uma forma de retenção/resistência satisfatória não puderem ser estabelecidas através dos sistemas de retenção direta. O uso de amálgamas adesivos tem como vantagens a execução de preparos mais conservadores, menor infiltração marginal, dispensa bases forradoras, reforço da estrutura dental, menor sensibilidade pós-operatória, menor incidência de fraturas marginais e cárie secundária. Entretanto temos como desvantagens o aumento do tempo de execução das restaurações, maior custo, necessidade de adaptação do profissional à nova técnica e longevidade desconhecida.
Segundo BUSATO (1996), o uso de amálgamas adesivos demonstrou melhor retenção, melhor vedamento
Ferramenta