A Importância do Programa de Medidas para Prevenção da Perda Auditiva Induzida por Ruído
2010
INTRODUÇÃO
Os trabalhadores expostos a níveis elevados de pressão sonora podem ter, ao longo dos anos, uma perda auditiva neurossensorial irreversível, isto é, perda auditiva por exposição a níveis elevados de pressão sonora.
Inicialmente, podem ocorrer alterações temporárias do limiar auditivo, isto é, um efeito de curto prazo da redução da sensibilidade auditiva, que retorna gradualmente ao normal depois de cessada a exposição.
A alteração do limiar auditivo depende do tempo de exposição, do nível sonoro da emissão acústica, da freqüência do som emitido e da sensibilidade individual. Através da exposição continuada podem ocorrer alterações permanentes do limiar de audição.
Prevenir ou pelo menos estabilizar as perdas auditivas ocupacionais estão entre os grandes objetivos na implantação de um programa de medidas preventivas de perdas auditivas.
A escolha do tema em pauta deve-se ser a perda auditiva representar uma das doenças relacionadas ao trabalho de maior prevalência nas indústrias brasileiras.
Esse trabalho torna-se importante porque a perda auditiva é um dos problemas de maior preocupação nas empresas, pois o seu diagnóstico não é uma tarefa simples e requer habilidade da equipe de saúde ocupacional para compor o nexo entre os sintomas, a exposição e os fatores causais da doença em questão.
Esse trabalho tem como objetivo geral explicar a importância da adoção de medidas para a prevenção da perda auditiva.
Os objetivos específicos são: caracterizar o ouvido humano e mecanismo de audição; citar as causas e efeitos do ruído para o organismo humano; explicar sobre a perda auditiva induzida por ruído ocupacional e ressaltar medidas preventivas de perda auditiva.
A contribuição desse tema está pautado na alerta de que com a implantação de medidas preventivas poderão atenuar os danos causados pelo ruído.
CAPÍTULO 1 – CARACTERIZAÇÃO DO OUVIDO HUMANO E MECANISMO DE AUDIÇÃO
O ouvido humano é o mais sofisticado sensor de som. Devido a deterioração do sistema auditivo por exposição prolongada ao ruído, é necessário que se tenha conhecimento sobre o funcionamento e o comportamento do sistema de audição.
Esse capítulo tem por objetivo caracterizar o ouvido humano com a finalidade de entender o mecanismo da audição e sua perda.
1.1 Caracterização do Ouvido Humano
De acordo com Russo (1993) a audição humana constitui um dos sistemas mais complexos e elaborados do organismo. O ouvido humano é capaz de detectar, com precisão, desde sons graves (freqüências baixas – 16Hz) aos mais agudos (freqüências altas – cerca de 20.000Hz); dos mais tênues (20mPa) aos mais intensos (200Pa).
É capaz de dar a sensação de freqüência (pitch ou fonia), de intensidade (loudness ou Sonia) e dos mais variados timbres (identifica instrumentos musicais, vozes, estado emocional de quem fala etc.). Tem capacidade de discriminar sons similares, mas diferentes e simultâneos, de reconhecer ou identificar dados sonoros, com base em conhecimentos antes adquiridos, de interpretá-los em nível de compreensão, priorizar uma dentre várias informações sonoras competitivas (atenção) e armazená-los na memória, para poder evocá-los no futuro (RUSSO; BEHLAU, 1993).
A percepção auditiva tem, ainda, a extraordinária capacidade de integrar padrões de estímulos auditivos incompletos apresentados separadamente (síntese) ou mesmo entender a mensagem inteira quando partes são omitidas (fechamento). Todas essas habilidades envolvem a participação de todo o sistema, desde os órgãos periféricos até as mais intrincadas e pouco conhecidas integrações do sistema nervoso central (RUSSO; SANTOS, 1993).
Para Costa, Morata e Kitamura (2005) a orelha humana tem uma sensibilidade diferenciada para cada freqüência de som, isto é, ouve menos ou mais cada grupo de sons de acordo com as características de freqüência.
1.2 Ouvido Externo
De acordo com Gerges (2000) o ouvido externo é constituído
Ferramenta