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Cardiopatia na Gestação

Trabalho por Anônimo, estudante de Medicina @ , Em 22/04/2003

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A gravidez, por si só, impõe à gestante uma sobrecarga cardiovascular, pelo aumento da volemia, que atinge até 45% a mais, aumentando o débito cardíaco em até 30%. É freqüente constatar-se na grávida, sopros sistólicos funcionais.


A GESTANTE CARDIOPATA

As alterações hemodinâmicas, impostas pelo estado gestacional, podem acarretar alterações importantes dependendo do tipo e grau de cardiopatia que se encontra.

As cardiopatias que cursam com aumento de volume, tais como lesões valvares regurgitantes (insuficiência aórtica, insuficiência mitral, insuficiência tricúspide, e mais raramente insuficiência pulmonar), comunicação inter-atrial, comunicação interventricular, PCA e fístula artério-venosa pulmonar, são em geral bem toleradas durante a gestação em razão da vasodilatação periférica própria do ciclo gravídico.

As lesões obstrutivas (estenose mitral, estenose aórtica, estenose pulmonar, hipertensão arterial pulmonar e a hipertensão arterial sistêmica são mal toleradas durante a gestação.

Da mesma forma cardiopatias congênitas cianogênicas e a síndrome de Eisenmenger são muito mal toleradas e determinam na maioria dos casos, óbito fetal e morte súbita materna.

Entre as cardiopatias reumáticas e estenose mitral é a mais encontrada. Quando tem manifestação leve na presença de gestação esta sintomatologia tende a se agravar entre a 12ª. e 20ª semana, podendo ao fim da 32ª. semana determinar edema agudo de pulmão.

Nas situações em que a estenose é discreta, o repouso e o controle seqüencial da paciente podem levar a resultados sem muitas complicações.

A insuficiência mitral e a insuficiência aórtica geralmente são bem toleradas, sendo menos freqüentes as complicações.

Com o crescimento da cirurgia cardíaca, nas duas ultimas décadas tem crescido bastante o número de gestantes préviamente operadas. A gestação é então uma excelente oportunidade para avaliação do resultado cirúrgico.


ATENDIMENTO A GESTANTE CARDIOPATA

  • Requer sempre a participação concomitante do cardiologista e obstetra.
  • As revisões deverão ser mais freqüentes e periódicas.
  • As avaliações mais periódicas propiciam o diagnóstico precoce das alterações e o imediato procedimento de acordo com a cardiopatia.
  • Deve haver preocupação com relação a profilaxia de moléstia reumática e endocardite infecciosa.
  • Nos casos de moléstia reumática, utilizar Penicilina Benzatina 1.200.000 unidades IM cada 21 dias, de maneira profilática. Na prevenção da endocardite antibióticoterapia (gentamicina e ampicilina) sempre que houver qualquer procedimento dentário ou outros que possam determinar bacteriemia.
  • Tratamento racional das arritmias cardíacas. O único anti-arrítmico proscrito no primeiro trimestre da gestação e a difenil-hidantoina sódica, por determinar lábio leporino e fenda palatina no feto, bem como a microcefalia com retardo mental.
  • Tratamento precoce da insuficiência cardíaca.
  • Requer internamento hospitalar imediato e tratamento.
  • Tipo de parto e anestesia: decisão do obstetra, preferencialmente bloqueio.
  • Laqueadura tubárea - deve ser decidida ouvindo-se gestante/obstetra/cardiologista.
  • Interrupção da gestação - situação excepcional, devendo-se levar em consideração o risco à gestante.