A cesária segmentar transversa está indicada sempre que a via vaginal para realização do parto está contra-indicada, ou quando apresentar riscos para o binômio materno-fetal.
Diz-se ter Júlio César ter nascido por cesária, sendo esta a atribuição do nome. Esta suposição entretanto é questionada, pois Aurélia, mãe de Júlio César, permanecia viva quando o mesmo invadiu a Grã-Bretanha. Esta recuperação, numa época em que anatomia e cirurgia eram ciências tão pouco conhecidas, o que aumentava em muito a morbi-letalidade.
As indicações mais freqüentes de cesária estão a seguir relacionadas:
A operação Cesária sempre deve ser feita no segmento inferior do útero, não importando a orientação da incisão da parede abdominal. O segmento inferior por não ter uma ação contrátil no trabalho de parto, é de espessura menor, apresentando menor risco de sangramento, e tornando-se mais fácil o sutura posterior.
A indicação da operação cesária, deverá ser muito criteriosa pois não é isenta de riscos. Ocorre uma maior mobidade materna e fetal, onde as causas de complicação materna estão associadas a hemorragias, embolia pulmonar, infecções, insuficiência cardíaca, ou complicações relacionadas com a anestesia.
São também possíveis lesões em decorrência da cirurgia, principalmente sobre o sistema urinário, onde são mais comuns as perfurações de bexiga, que se identificadas no decorrer da cirurgia, devem ser imediatamente reparadas, permanecendo a paciente sondada por 48 horas.
A distensão abdominal no pós operatório, o íleo paralítico, é outra complicação muito comum, principalmente nas pacientes submetidas a trabalho de parto prolongado.
TÉCNICAS DE CESÁRIA
Incisão transversa da pele abaixo da linha de implantação dos pelos pubianos. Eventualmente a incisão poderá ser longitudinal, embora anti-estética.
Incisão do tecido gorduroso subcutâneo, seguindo-se a mesma orientação do sentido da incisão da pele, expondo amplamente a aponevrose. Se houver secção de vasos, estes deverão ser ligados com fio CATEGUTE 00 - SIMPLES.
Abertura do aponevrose na região mediana, e reparo com pinças de Kocher. Amplia-se em seguida a abertura da aponevrose no mesmo sentido da abertura dos dois planos anteriores, utilizando-se para tal procedimento tesoura de Metsembaum.
Liberação da aponevrose para cima e para baixo, separando-a da face anterior do músculos da parede anterior do abdômen.
Divulsão longitudinal do músculo reto do abdômen, no seu rafe mediano.
Abertura do peritônio parietal, no sentido longitudinal, cuidando-se para não lesar a bexiga.
Colocação de válvula supra-púbica e identificação do segmento inferior.
Abertura transversa do peritônio parietal na altura do segmento inferior.
Confecção de goteira no segmento inferior do útero. Aspiração de líquido amniótico.
Abertura transversa do útero, por divulsão com dois dedos, ou com auxílio de tesoura.
Identificação do polo de apresentação do feto.
Luxação do mesmo com a mão introduzida através da brecha uterina. Eventualmente usa-se Fórceps (cefálico) ou Válvula de Torpin.
Extração do Feto e limpeza da cavidade oral do mesmo.
Ligadura do cordão umbilical com Cord-Clamp e pinça de Kelly.
Extração manual da placenta (se indicado coleta de sangue do cordão umbilical, para exames).
Avaliação da cavidade uterina e eventual limpeza com gaze montada em pinça, ou se necessário curetagem com cureta grande.
Reparo dos bordos do miométrio seccionado.
Sutura da brecha uterina com pontos separados.
Sutura do peritônio visceral, em sutura contínua.
Revisão da cavidade uterina e sutura do peritônio parietal.
Aproximação dos músculos do abdômen.
Sutura da aponevrose.
Fechamento da pele.
OBSTETRÍCIA OPERATÓRIA
São abordadas no capítulo da obstetrícia operatória, ou tocurgia, as intervenções realizadas na gestante em qualquer época da gestação com fins
Ferramenta