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A Ética do Cuidado

Trabalho por Raeulan Barbosa da Silva Pereira, estudante de Medicina @ , Em 19/10/2005

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A Ética do Cuidado


"O melhor médico é também um filósofo" [Galeno]

O Sexto Congresso Mundial de Bioética, realizado em Brasília entre 30 de outubro e 03 de novembro do ano passado teve como tema central O Poder e a Injustiça. Trazer para esta discussão a lógica da filosofia em sua interface com a Medicina é contribuir para uma profunda compreensão em torno do poder em sua relação com a ética do cuidado (SIQUEIRA, 2002:89-106) com a saúde integral do homem (LEO, 2002:51-72).

I. Por que uma Filosofia da Medicina? Por que uma atitude de reflexão, hoje, sobre o biopoder?

Na discussão sobre bioética, a temática de equiparação entre o médico e o filósofo, da relação Medicina-filosofia, na integração de seus saberes, pode, talvez, suscitar algum questionamento importante, principalmente, quando, em nossos dias, a evolução dos aparatos médicos é tão grande, que temos, muitas vezes, vontade de superar a facticidade humana e instaurar um reino de utopias, de "preocupações e razões de esperança", no qual, pela ajuda da técnica e do desenvolvimento científico, o homem possa desafiar a morte. Para isso contribuem, sem dúvida, as excentricidades que os meios de comunicação, todos os dias, veiculam, como também um desejo humano de prolongar a existência e superar a doença.

A filosofia, integrada com outros sistemas de conhecimentos humanos em evolução, a Medicina e o Direito, por exemplo, se confronta com novos desafios (JAPIASSU, 1997), "o de pensar-se nos dias de hoje", de descobrir outras e diversas condições históricas da Globalização, de repensar as drásticas rupturas epistemológicas a serviço da Humanidade.

É o tempo propício de se conceber e de se praticar esta interdisciplinaridade, da Filosofia com estes saberes, entre outros: a habilidade profissional de buscar um outro modo de ver e de pensar as realidades em suas múltiplas dimensões, entre as quais as novas teorias da linguagem de Bioética em sua relação com a Medicina decorrentes dos avanços tecnológicos da inteligência humana.

Este debate inicial se reveste de capital importância, na medida em que a Filosofia tematiza a Bioética como um novo paradigma (HOTTOIS, 1990) do conhecimento. Com essa nova disciplina, o pesquisador recorre às "tecnologias da inteligência" (LEVY, 1998).

É no ambiente marcado por grandes transformações e processos contraditórios que a Bioética parece nascer como um novo domínio da reflexão e da prática, que toma como seu objeto específico as questões humanas na sua dimensão ética, no âmbito da prática clínica, jurídica ou da investigação científica.

Segundo os jusfilósofos, faz-se necessário lançar mão de regras, normas, leis ou diretrizes a serem seguidas por todo grupo social. A Bioética seria um instrumento fundamental para atingir tal objetivo, principalmente nas questões jurídicas do Direito Internacional e Ambiental. Com base nisso, questões são registradas, tais como: o que é justiça? "Ética é justiça?" Que implicações éticas existem, hoje, na falta de respeito à Ecologia, à Natureza? Destas dimensões, que reflexão se faz sobre a ética do cuidado com a saúde integral do homem? Que relação existe entre o biopoder, produzido pelo "Império" globalizado, e a ética do cuidado com a saúde integral do homem?

Há uma palavra grega, que explica o sentido etimológico da concepção de ética com justiça: "ethos" significa "domicílio", moradia, o abrigo permanente, o país onde alguém habita, a casa onde se mora, a Universidade Federal de Pernambuco, o Centro de Ciências de Saúde, onde se constrói, pelo trabalho, a felicidade do homem.

No âmbito da "physis", observa Leonardo Boff (1999: 85), da totalidade sempre igual à Mãe-Natureza, "o ser humano seleciona uma porção da natureza e aí constrói para si uma moradia. Ele não a encontra feita. Deve construí-la e mantê-la