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Aborto

Trabalho por Giselle de Souza, estudante de Medicina @ , Em 24/10/2003

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ABORTAMENTO


Antropologicamente, retirar ou abreviar uma vida nascente é um ato contra a natureza em relação ao ser humano.Infelizmente, vivemos numa sociedade que está longe de atingir esse ideal. Aí nos defrintamos com o problema do aborto, que é o fim de um processo, geralmente doloroso, a ser enfrentado pela mulher ou pelo casal.


ANÁLISE FENOMENOLÓGICA DO ABORTO.

A igreja católica dos tempos modernos, considera que a vida humana começa desde a concepção, sendo este um postulado admitido sem ser provado, como também não se pode demonstrar que não seja uma verdade.

A fecundação comporta etapas como o processo de hominização; segmentação (determina a individuação, época que dá margem a eventual formação de gêmeos); o da nidação (implantação no útero, começo da gravidez); constituição do córtex cerebral (permite progressiva diferenciação de nossa espécie como espécie pensante). Entre a primeira e a terceira etapas, temos uns 10 dias.

De acordo com os embriologistas, cada célula da mórula pode virtualmente se transformar em corpo humano. Não se segue com evidência que cada uma dessas células possui uma alma humana. Tampouco se pode ignorar que o aborto é tão mais perigoso para a mulher quanto mais avançada é sua gravidez. Os riscos de complicação e mortalidade aumentam na medida em que a gestação está mais avançada.


QUANDO COMEÇA A VIDA

De acordo com Callahan, existe três escolas básicas de opinião na questão de definir o status do feto.

  • 1ª A escola genética: significa que o ser em desenvolvimento é humano desde o momento da concepção.
  • 2ª A escola desenvolvimentista: a vida começaria a partir da nidação, ou a partir da formação do córtex cerebral, ou a partir da constituição física do feto, ou a partir de sua saída do útero.
  • 3ª A escoloa das conseqüências sociais: o feto deve ser definido com base nas conseqüências sociais daquela decisão. A partir desta perspectiva, o importante não é a dimensão biológica ou desenvolvimentista, mas os desejos da sociedade em termos de normas sociais e morais.

A antropologia diz que o ser humano é totalmente biológico e relacional, e a vida relacional depende grandemente da biologia, isto é, da maneira como o homem é feito em seu corpo. Dependendo do equilíbrio corporal: minha maneira de viver, minhas relações com o mundo e com os outros. Estudos psicanalíticos lembram que a criança bem cuidada e nutrida torna-se problemática se esses cuidados carecem de amor e de palavras. Estudos recentes parecem mostrar que, desde o útero materno, existem trocas relacionais entre o feto e a mãe e mesmo com o pai.

Durante a gravidez e mesmo depois, a mãe vive uma experiência muito forte e nova nos aspectos vincular e biológico. A vida da espécie humana tem sua característica mais marcante no relacionamento, em sua vida humanizada e socializada.

O homem se diferencia das outras espécies por sua consciência, por sua racionalidade, sua liberdade, sua responsabilidade, pelos sentimentos e pela palavra. Com essas característica, cabe a ele humanizar o criado, estando apto a criar melhores condições de vida para si e para os outros.

Mas quando é que a vida se inicia? Do ponto de vista biológico, a vida humanizada nunca começa, ela se transmite, pela transmissão das característica do homem: razão, responsabilidade, liberdade, condições sociopolítico-econômica. Do ponto de vista filosófico, a vida humanizada começaria no momento da convocação à palavra: relacionamento humano, amor.


CONSIDERAÇÕES PSICOSSOCIAIS

O marco principal da sociedade em que vivemos é a antivida, a falta de solidariedade entre as pessoas cria uma mentalidade abortista. Se a criança escapa do aborto durante a gravidez, a sociedade se