ALTERAÇÕES TOMOGRÁFICAS NAS PRINCIPAIS DOENÇAS PSIQUIÁTRICAS
CAMPINA GRANDE, 10 DE MAIO DE 2002
I. INTRODUÇÃO
Há algumas décadas era praticamente inconcebível a cena de um radiologista auxiliando um psiquiatra a desvendar a fisiopatologia de um transtorno psiquiátrico. Entretanto, com o desenvolvimento dos métodos de diagnóstico por imagem, esta simbiose se concretizou e se estreita cada vez mais.
Os métodos de imagem têm dois papéis fundamentais no diagnóstico de doenças psiquiátricas. Primeiramente, têm a função de excluir patologias que possam gerar sintomas psiquiátricos, como, por exemplo, lesões isquêmicas e tumores. Segundo, pesquisam possíveis alterações estruturais ou funcionais como causa primária de transtornos psiquiátricos. Por meio dos métodos de diagnóstico por imagem, pode-se estudar a morfologia e a função do encéfalo. No seu atual estágio de desenvolvimento, os métodos de diagnóstico por imagem devem ser utilizados, na prática clínica, para se excluir doença orgânica como causa de sintoma psiquiátrico em um determinado indivíduo.
O objetivo dessa descrição é mostrar que a tomografia computadorizada, como recurso diagnóstico, revolucionou o estudo do sistema nervoso central. Com ela, pôde-se estudar a morfologia e dimensão dos ventrículos e do espaço subaracnóide. As substâncias branca e cinzenta passaram a ser distinguidas. Patologias intracranianas puderam ser estudadas de modo não invasivo e com detalhes impossíveis de serem obtidos por outros métodos. Até hoje, a tomografia computadorizada é utilizada em psiquiatria, não só para o diagnóstico de doenças do sistema nervoso central, causando sintomas psiquiátricos, como, também, na correlação entre tamanho ventricular ou atrofia cortical e doenças psiquiátricas.
II. DESENVOLVIMENTO
1 . HISTÓRIA, EVOLUÇÃO E PRINCÍPIOS BÁSICOS DA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
O processo de obtenção de imagens radiológicas por meio da segmentação tomográfica tem suas origens no trabalho do matemático austríaco Radon, que desenvolveu um método de reconstrução de imagens para ser usado na mensuração de campos gravitacionais. Logo depois, alguns radiologistas pioneiros observaram que se o tubo de raios X e o filme forem transportados em direções opostas sobre um ponto focal do paciente, somente a projeção do plano focal permanece em foco. Surgiu, assim, uma técnica que existiu por 40 anos, a tomografia não-computadorizada.
Apesar de sua utilização, as imagens geradas pela tomografia não-computadorizada eram pobres em nitidez. Coube aos cientistas Godfrey Hounsfield e Allan Cormack inventarem o processo no qual essas imagens ("tomos") poderiam ser processadas por um computador. Tal método, hoje denominado genericamente de tomografia computadorizada (TC), revolucionou de tal forma a medicina que deu aos seus inventores o prêmio Nobel de 1979.
A tomografia por raios X baseia-se na idéia de que se quisermos obter informação de um determinado objeto, devemos extrair muitas mensurações gerando-se assim múltiplas variáveis, cujo valor só pode ser calculado pela resolução de um sistema de equações, o que só é possível com a ajuda de um computador. Assim, se tomarmos o plano horizontal dos cortes tomográficos de um cérebro, sabemos que é composto por pequenas unidades bidimensionais ou pixels, que representam unidades de volume, denominadas voxels. Para sabermos a composição de cada voxel, devemos submeter o cérebro a uma quantidade de raios X que permita a obtenção de medidas de atenuação de seus inúmeros voxels. Na TC, são medidas as intensidades de raios X de incidência e saída do objeto estudado. Esses dados formam uma linha de projeção bidimensional de coeficientes de atenuação cuja direção é definida pelos raios incidentes. O conjunto das projeções será reconstruído pelo computador acoplado ao sistema. Tal idéia é a base da tomografia por raios X, mas, essencialmente, o mesmo princípio é aplicado para outras técnicas, como as de imagem nuclear, tais como o PET e o SPECT.
Os coeficientes de atenuação de raios X são expressos em Unidades Hounsfield (UH) cuja fórmula é UH = ( tecido - água/ água) x 1.000, sendo m o coeficiente de atenuação linear. Assim, a
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