Refluxo Gastro-Esofágico x Otite
Refluxo gastro-esofágico - uma epidemia?
Desde que o mundo é mundo, os bebês vomitam. Uns mais, outros menos. Antigamente, há 20 anos ou mais, chamávamos estas crianças de vomitadoras. Hoje, sabemos que a causa mais comum destes vômitos é o refluxo gastro-esofágico. Por este motivo o diagnóstico do refluxo tornou-se comum e muitas pessoas têm pedido mais informações sobre o assunto. Sem dúvida, é uma pergunta freqüente no "Pergunte ao Doutor". As pessoas querem saber as causas, tratamentos, evolução, prognósticos do refluxo.
Por que os bebês vomitam? O que é refluxo gastro-esofágico?
Dissemos que a maioria dos bebês vomita ou regurgita durante um certo período nos primeiros meses de vida.
Isto é devido ao mau funcionamento de uma válvula que existe na entrada do estômago chamada cárdia. Normalmente esta válvula se fecha após a passagem do alimento, impedindo sua volta para a boca através do esôfago.
Entretanto, na grande maioria dos recém-nascidos esta válvula não funciona bem e permanece aberta, ou se abre com facilidade, mesmo com o estômago cheio. Assim que a criança se deita ou quando a pressão abdominal aumenta (p. ex. por tosse) a criança vomita.
A volta do conteúdo do estômago através do esôfago é o que se chama então de refluxo gastro-esofágico.
Qual a diferença entre vômito e regurgitação?
Regurgitação é o retorno à boca de pequena quantidade de conteúdo gástrico, sem esforço.
Já o vômito geralmente tem maior quantidade e se acompanha de náusea, dor, ou contração muscular torácica.
Dependendo do caso, podemos dividir o refluxo em "normal" e anormal, ou patológico.
O refluxo normal
Consideramos normais os vômitos que ocorrem em um bebê que de resto é totalmente saudável e que, além disso, engorda normalmente. Ou seja, os vômitos não lhe causam nenhum prejuízo.
E considerado normal, portanto, que o bebê regurgite uma pequena quantidade de leite após as mamadas. Sua intensidade varia para cada criança.
A grande maioria dos casos desaparece espontaneamente nos primeiros meses de vida.
O refluxo normal pode ter diversos fatores que predispõem a seu aparecimento.
Uma delas, muito comum, deve-se ao excesso de ar deglutido durante a mamada, que ao sair do estômago traz consigo o leite, provocando o refluxo. Isto pode ser evitado com uma boa técnica na amamentação, colocando-se o bebê para arrotar em seguida (veja adiante, em tratamento).
Outras causas de vômitos "normais" ou de regurgitação incluem alimentação forçada e choro excessivo.
O refluxo anormal
O refluxo é considerado anormal ou patológico quando se acompanha de outros sintomas ou sinais.
O quadro clínico pode incluir ganho de peso insuficiente, recusa alimentar, problemas respiratórios (pneumonias de repetição, chiado no peito, laringites, otites e sinusites) e choro excessivo e injustificado do bebê, entre outros. Uma parte dos sintomas é causada pela existência da esofagite (inflamação do esôfago), que se deve ao contato com conteúdo ácido do estômago. Ou pela entrada deste material nas vias respiratórias.
Diagnóstico
Nos casos em que o quadro clínico é típico e bastante sugestivo, o diagnóstico é mais fácil. Nos casos em que o refluxo é microscópico e não chega a ser percebido, ou quando os sintomas não são tão evidentes, torna-se mais difícil o diagnóstico.
Felizmente, existem exames complementares aos quais o médico poderá recorrer para estabelecer o diagnóstico, nos casos
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