PARALISIA CEREBRAL
Aspectos Gerais
a) Histórico e Conceito.
Encontram-se relatos da existência da Paralisia Cerebral em civilizações muito primitivas. No entanto, sua primeira descrição foi apresentada em 1843.
John Litle descreve uma nova enfermidade caracterizada por rigidez muscular e ocasionada por vários fatores que acarretam asfixia do recém-nascido, dando-lhe o nome de Síndrome de Litle.
Winthrop Phelps faz tentativas para tratar de crianças que têm alterações descritas por Litle.
Vêm tido muitas discussões sobre essa patologia, incluindo a Paralisia Cerebral. Muitos discutem a idade limite em que ocorre uma lesão cerebral. O Litle Club de Oxford não estabelece limite numérico de idade. "Paralisia Cerebral é seqüela de uma agressão encefálica, que se caracteriza por um transtorno persistente, mas não invariável, do tono, da postura e do movimento, que aparece na primeira infância e que não só é diretamente secundária a esta lesão não evolutiva do encéfalo, mas também devido à influência que esta lesão exerce sobre a maturação neurológica".
b) Incidência.
No Brasil, em 1964, de acordo com Leitão 1971, foi feito um levantamento estatístico pelo Ministério da Educação e Cultura, em convênio com o I.B.G.E. Uma população de 28.104.217 indivíduos foi pesquisada, numa faixa etária de 0 à 14 anos, foram encontradas 385.682 excepcionais , dos quais 68.553 eram deficientes físicos.
c) Fatores Causais.
Qualquer agente capaz de lesar o encéfalo, desde a concepção até a primeira infância.
1) CAUSAS PRÉ-NATAIS.
Uma série de fatores pode causar lesão no encéfalo nesse período: agentes metabólicos (diabete materna), agente infeccioso (rubéola materna), agente mecânico (irradiação) e fatores genéticos.
2) CAUSAS NATAIS E PERI-NATAIS.
Os problemas de parto, que causam lesão no tecido neural, são as causas mais comuns da Paralisia Cerebral. Exemplo: Eristoblastose Fetal, Kernicterus.
3) CAUSAS PÓS-NATAIS.
Desde o nascimento até a primeira infância, muitos agentes causais podem lesar o encéfalo da criança em desenvolvimento, como doenças infecciosas meningites e encefalites, distúrbios vasculares, traumas e tumores cerebrais.
d) Classificação.
De acordo com Borath - 1976, "Paralisia Cerebral é resultado de uma lesão no desenvolvimento do cérebro, de caráter não progressivo e existindo desde a infância...".
Como a lesão ocorre desde o desenvolvimento maturacional da criança, além dos aspectos neuromotores, podem ocorrer alterações como deficiência visual, deficiência auditiva, deficiência tátil, distúrbios perceptivos, deficiências mentais, problemas odontológicos e distúrbios na comunicação oral e gráfica.
Há 3 tipos de classificação da Paralisia Cerebral:
1) QUANTO AO COMPROMETIMENTO MUSCULAR.
Espasticidade: Caracteriza-se por uma hipertonia que acarreta um desequilíbrio entre os músculos agonistas e antagonistas. A articulação é muito deficiente.
Ataxia: É decorrente de lesão no cerebelo e vias cerebelares. Caracteriza-se por falta de equilíbrio e coordenação, podendo também apresentar decomposição do movimento, dificuldade ou impossibilidade de realizar movimentos alternados rapidamente, tremores e dificuldades para manter-se em pé e dificuldade na marcha. Tônus predominantemente hipotônico. A fala é como de uma pessoa embriagada.
Atetose: É decorrente de uma lesão no sistema extrapiramidal. Ocorre o aparecimento de movimentos involuntários anormais, genericamente denominados hipercinesias e alteração do tônus muscular. Há muitas caretas faciais durante contrações simultâneas, e também, muitas distorções fonêmicas.
Mista: União da rigidez espástica à atetose, as vezes denominada tensão atetósica.
2) QUANTO AO COMPROMETIMENTO MOTOR.
As definições sobre os diversos tipos de padrões motores encontrados na Paralisia Cerebral variam muito entre autores. As mais utilizadas são:
Monoplegia: Quando somente um membro superior ou, menos freqüentemente, somente um membro inferior, está comprometido. São muito raras e geralmente, mais tarde, tornam-se hemiplegias.
Hemiplegia: Somente
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