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Desenvolvimento Humano

Trabalho por Leandro Rafael de Freitas, estudante de Fonoaudiologia @ , Em 22/04/2003

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Desenvolvimento Humano entre 0 - 24 Meses


1 – Introdução e Objetivos

O bebê recém nascido é, num sentido extremo, um imigrante. Depois de atravessar uma passagem difícil, o bebê tem que enfrentar muito mais do que aprendizado de uma língua e costumes. O bebê tem que começar a respirar, comer, adaptar-se ao clima e responder a um ambiente confuso – um desafio e tanto para alguém que é tão pequeno e cujos sistemas orgânicos ainda não estão totalmente maduros. Os bebês geralmente vêm ao mundo com todos os sentidos e sistemas orgânicos funcionando e prontos para enfrentar o desafio.

Desde o momento da concepção, os seres humanos passam por processos complexos de desenvolvimento. As mudanças ocorrem durante os primeiros períodos do ciclo de vida são mais amplas e aceleradas do que qualquer outra que a pessoa venha a sofrer no futuro.

Como os seres humanos são pessoas inteiras, todos os aspectos de seu desenvolvimento estão intimamente ligados até mesmo no útero. Fetos cujos ouvidos e cérebros desenvolvem-se fisicamente o suficiente para ouvir sons do mundo externo parecem conservar uma lembrança destes sons após o nascimento. O crescimento físico de cérebro antes e depois do nascimento torna possível um grande surto de desenvolvimento cognitivo e emocional.

Até bem pouco tempo, admitia-se que o psiquismo humano entrava em funcionamento no exato instante em que ocorria seu nascimento quando, então, dava-se a cesura do cordão umbilical, ou seja, ao perder a segurança uterina e tendo que procurar por si mesmo o oxigênio e o alimento para sua sobrevivência.

Através de estudos psicanalíticos realizados, observou-se que, sob intensa angústia, os pacientes abandonavam, muitas vezes, a realidade externa eliciadora de um sofrimento intolerável, para buscar refúgio numa realidade muito mais primitiva, regredida, relacionada à vida intra-uterina.

Com o advento da ultra-sonografia e, mais tarde, da ecografia, pôde-se observar o universo fetal e a sua história de desenvolvimento físico-emocional.

Assim, constatou-se que não apenas o trauma do nascimento marca inconscientemente o indivíduo para sempre, como também o modo como o feto percebe suas experiências pré-natais, vão se constituir no modelo das vivências emocionais no decorrer de sua vida aérea e, mais imediatamente, na primeira infância.

Podemos então dizer que, certamente, a vida psíquica não se inicia com o nascimento, porém é uma continuidade da vida intra-uterina.

Desta feita, a visão que se tinha de que o útero era um lugar silencioso, um verdadeiro paraíso, onde os ruídos externos não chegavam até ele e que o feto era um ser passivo, completamente dependente, foi derrubada ante o desenvolvimento tecnológico e psicanalítico.

Hoje, o que se sabe é que é um ser humano em formação e que reage a estímulos, chupa o dedo, dorme e acorda, tem movimentos respiratórios, movimenta-se à procura de posições que lhe sejam mais confortáveis, boceja e soluça, sorri e chora...

Sabe-se, inclusive, que as atividades executadas por ele não são sem sentido, cumprem objetivos: não só deglute o líqüido amniótico para se alimentar como regula o volume de ingestão; os movimentos realizados desenvolvem as articulações e ossos e as experiências sensoriais são fundamentais para o desenvolvimento do cérebro.

Por sua vez, a visão de útero também se modificou, pois o feto escuta a voz materna e paterna, os sons internos e viscerais da mãe, como a digestão sendo realizada, os batimentos cardíacos, a circulação sangüínea, o ressoar do sono materno, a sonoridade do mundo externo que lhe chega abafada, porém audível.

Muito mais que tudo isto, foi a compreensão adquirida que o feto sofre com a influência das emoções