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Autismo

Trabalho por Gercélia dos Santos Ramos, estudante de Fonoaudiologia @ , Em 22/04/2003

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AUTISMO E FONOAUDIOLOGIA


INTRODUÇÃO

O autismo vem sendo conceituado desde a proposta de Síndrome de Kanner, nos anos cinqüenta, até a noção de síndrome autística, nos anos noventa. Neste período já foram desenvolvidas muitas explicações, e teorias para se compreender o problema e diversas questões foram levantadas, porém poucas foram respondidas de forma definitiva.

Com relação à classificação desse quadro clinico, sabe-se que deixou de ser incluído entre as psicoses para, a partir dos anos oitenta, ser considerado um distúrbio global do desenvolvimento e designado como síndrome autística.

Uma outra questão que estar à mercê de uma resposta, apesar dos avanços dos estudos, é a que se refere as suas causas ou origens. Os diferentes graus de intensidade das alterações observadas sugerem a questão: se estão sendo estudadas patologias diferentes ou diferentes manifestações da mesma patologia.

O objetivo deste trabalho é definir tal patologia, tentando esclarecer um pouco mais estas questões, e enfatizar o papel do profissional fonoaudiólogo que acompanha crianças cuja fala ainda não ganhou sentido na família/comunidade em que vive, revelando que a ele está reservada, muitas vezes, a incumbência de transformar, por meio de sua atividade interpretativa, essas crianças em falantes da língua, criando espaço para a constituição de sua subjetividade.

Entendendo como estas crianças se comunicam e como o mundo pode se comunicar com elas é possível construir propostas terapêuticas mais próximas das suas necessidades.

Até poucos anos atrás, os autores que mencionavam a atuação fonoaudiológica com indivíduos autistas o faziam com a perspectiva de que este trabalho envolveria exclusivamente o treino de fala. Contudo, foram surgindo estudos abordando as dificuldades com o uso funcional da linguagem que propiciaram um ponto de partida para uma melhor forma de atuação profissional.

Sabe-se que na literatura da área médica, a linguagem e o comportamento de crianças com distúrbios emocionais são descritos como estereotipados, sendo sua fala formada por fragmentos lingüísticos considerados ecolálicos. No entanto, ao se adotar a concepção interacionista da linguagem tem-se a possibilidade de ver/escutar a criança além dos seus sintomas.


HISTÓRICO

Qualquer abordagem sobre o tópico autismo infantil deve referenciar os pioneiros Leo Kanner e Hans Asperger que, separadamente, publicaram os primeiros trabalhos sobre esse transtorno. As publicações de Kanner em 1943 e de Asperger em 1944 continham descrições detalhadas de casos de autismo, e também ofereciam os primeiros esforços para explicar teoricamente tal transtorno.

Kanner estudou e descreveu a condição de 11 crianças consideradas especiais. Nessa época, o termo Esquizofrenia Infantil era considerado sinônimo de Psicose Infantil mas, as crianças observadas por Kanner tinham características especiais e diferentes das crianças esquizofrênicas. Elas exibiam uma incomum incapacidade de se relacionarem com outras pessoas e com os objetos. Concomitantemente, apresentavam desordens graves no desenvolvimento da linguagem.

A maioria delas não falava e, quando falavam, era comum a ecolalia, inversão pronominal e concretismo. O comportamento delas era salientado por atos repetitivos e estereotipados; não suportavam mudanças de ambiente e preferiam o contexto inanimado. O termo autismo se referia à características de isolamento e auto-concentração dessas crianças, mas também sugeria alguma associação com a esquizofrenia.

O próprio Kanner viria a reconhecer que o termo autismo não deveria se referir, nestes casos, à um afastamento da realidade com predominância do mundo interior, como se dizia acontecer na esquizofrenia. Portanto, mesmo para ele não haveria no autismo infantil um fechamento do paciente sobre si mesmo, mas sim, um tipo particular e específico de contato do paciente com o mundo exterior.

Na década de 50 os autores norte-americanos, por mero pudor da palavra psicose, denominavam essas crianças como