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A Ergonomia

Trabalho por (anônimo), estudante de Fisioterapia @ , Em 22/04/2003

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A Ergonomia


Impossível conceituar Ergonomia e contextualizá-la sem desnudar as linhas de intervenção existentes. Atualmente, a Ergonomia apresenta dois enfoques bem característicos, segundo o tipo de abordagem do homem no homem no trabalho: o enfoque americano e o enfoque europeu.

De acordo com Montmollin (1986), a linha européia privilegia as atividades do operador, priorizando o entendimento da tarefa, os mecanismos de seleção de informações, de resolução de problemas, de tomadas de decisão. Tudo se inicia com a observação do trabalho, em condições reais. Em seguida, tem-se a verbalização do trabalho executado pelos próprios operadores especificamente nele envolvidos e considera-se a aprendizagem da tarefa e a competência do trabalhador.

Os ergonomistas americanos, por seu lado, preocupam-se, principalmente, com os aspectos físicos da interface homem-máquina (anatômicos, antropométricos, fisiológicos e sensoriais), objetivando dimensionar a estação de trabalho, facilitar a discriminação de informações dos mostradores e a manipulação dos controles. Para tanto, realizam simulações em laboratórios (onde medem alcances, esforços, discriminação visual, rapidez de resposta), mantendo constantes algumas variáveis – homens com dimensões extremas (5° e 95° percentis), acuidade visual, nível de instrução, etc.

Ao se estudar, por exemplo, o trabalho em terminais de vídeo, o enfoque americano contempla as dimensões do mobiliário; alcances, conformação do teclado; radiação e cor da tela; altura, espessura e desenho dos caracteres alfanuméricos; visibilidade e compreensibilidade dos símbolos iconográficos; iluminação, ruído e temperatura ambiente. Os europeus enfatizam os aspectos semânticos e cognitivos da informação que aparece na tela, seu tratamento mais do que a apresentação, o conteúdo do trabalho, a percepção dos dados e as decisões implicadas.

Ainda de acordo com Montmollin (1986), temos que o primeiro enfoque, o mais antigo e, hoje em dia, o mais americano, considera a Ergonomia como a utilização das ciências para melhorar as condições do trabalho humano. A anatomia e a fisiologia permitem conceber cadeiras, telas e horários mais adaptados ao organismo humano, enquanto a psicologia e a semiótica possibilitam definir uma melhor apresentação das informações. O ergonomista orienta-se, prioritariamente, para a concepção de dispositivos técnicos: maquinas, utensílios, postos de trabalho, telas, impressos, programas, etc.

O ergonomista desta corrente considera as características gerais do homem em geral, a maquina humana, para adaptar melhor as máquinas e os dispositivos técnicos a este homem. A concepção clássica de sistemas homem-máquina, onde a analise ergonômica privilegia a interface entre os componentes materiais e os componentes (ou fatores) humanos.

Seguem-se as características da máquina humana que os ergonomistas praticantes dessa linha consideram:

  • As características antropométricas: alturas, comprimentos e larguras de diferentes segmentos corporais;
  • As características ligadas ao esforço muscular: estudam-se as contrações musculares, diretamente (por eletromiografia), pelo consumo de oxigênio e pelo ritmo cardíaco;
  • As características ligadas à influência do ambiente físico: o calor e o frio, a poeira, os agentes tóxicos, o ruído, as vibrações e, mais recentemente, as acelerações bruscas – estes são domínios onde a Ergonomia se identifica com a medicina do trabalho;
  • As características psicofisiológicas: o olho e o desempenho visual, o ouvido e o desempenho auditivo, em diversas condições – visão noturna, audição em locais ruidosos; mas também o olfato, o tato, e os tempos de reação. Devem-se juntar às características relacionadas a sensação, como as citadas acima, os fenômenos do sistema nervoso central como a percepção visual (limiar de discriminação de diferentes formas, por exemplo) ou, como a partir dos anos 50 e 60, a atenção e a vigilância ( detecção de sinais raros e aleatórios);
  • As características dos ritmos circadianos: (que regulam a atividade biológica durante as 24 horas do dia), alternância vigilia-sono, em particular, e a influencia de suas perturbações (devidas ao trabalho em equipes alternantes, por exemplo) sobre o sono e, mais genericamente, sobre a saúde.