A Relação entre o Tabagismo e os Transtornos Psiquiátricos e uma Proposta Fisioterapêutica para tais Pacientes
Resumo
Nesse estudo foi realizada uma revisão seletiva da literatura sobre o tema, sugerindo uma proposta de tratamento fisioterapêutico . Delimitou-se como fonte de informação bibliográfica alguns livros, artigos científicos e dissertações. Para atingir o objetivo proposto, optou-se por abordar os componentes, efeitos e conseqüências do uso do tabaco, assim como os principais transtornos psiquiátricos e sua relação com o tabaco; e os benefícios da fisioterapia respiratória, no controle do estresse, da ansiedade e da depressão, transtornos estes que parecem estar presentes na grande maioria das doenças psiquiátricas. A literatura pesquisada evidenciou os prejuízos do consumo do tabaco para a saúde mental, sendo que tais prejuízos se estendem não só aos fumantes ativos como também aos passivos. Para reverter o quadro, são necessários tratamentos com equipe multidisciplinar, propiciando ao paciente, dentre outros fatores, melhora global da saúde e da qualidade de vida. Nessa abordagem, cabe ao paciente a conscientização da adoção de hábitos de vida mais saudáveis. Este trabalho visa contribuir com os programas de intervenção e assistência a pacientes psiquiátricos fumantes.
Palavras Chave: Tabagismo, transtornos psiquiátricos, fisioterapia.
Introdução
Trata-se de um tema de muito interesse clínico, uma vez que o tabagismo tem diversas implicações do ponto de vista bioquímico. A nicotina interfere no funcionamento dos sistemas neurotransmissores e exerce diversas ações neuroendócrinas, entre outros fatores, o que pode influenciar no quadro psicopatológico e na responsividade do paciente ao tratamento (Herrán et al., 2000).
Nesse estudo bibliográfico, aborda-se as evidências apresentadas na literatura, da relação entre tabagismo e quadros de perturbações psiquiátricas, tais como depressão, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.
Está bem estabelecida na literatura a relação entre o tabagismo e os quadros psicopatológicos, como esquizofrenia e depressão maior. Existe ainda forte evidência de associação entre o consumo de tabaco e os transtornos ligados ao consumo e/ou dependência de substâncias como álcool e outras drogas. A literatura contém ainda um número significativo de estudos sobre o tabagismo e algumas perturbações psiquiátricas diversas, como transtornos de ansiedade e de humor, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, entre outras.
Delimitou-se como fonte de informação bibliográfica os livros, artigos científicos e documentos eletrônicos que abordam a matéria direta ou indiretamente.
Com a finalidade de atingir o objetivo proposto neste trabalho, optou-se por agrupar a discussão em torno dos seguintes temas: 1)- uma abordagem metafísica dos sintomas psíquicos; 2)- dopamina: a substância que nos move; 3)- efeitos do tabaco ; 4)- tabagismo e depressão; 5)- tabagismo e esquizofrenia; 6)- tabagismo e ansiedade; 7)- uma proposta de tratamento fisioterapêutico respiratório.
1. Uma abordagem metafísica dos sintomas psíquicos
Todo sintoma tem um conteúdo psíquico e se manifesta através do corpo.Também o medo e a depressão se manifestam através do corpo. Essas correlações somáticas, todavia, servem de base para a medicina acadêmica fazer suas intervenções farmacológicas. As lágrimas derramadas por um paciente depressivo não são mais "psíquicas" do que o pus ou uma disenteria. Os sintomas podem usar uma grande variedade de formas de expressão e, para fazê-lo, todos eles se valem do corpo para tornar visível e palpável os conteúdos subjacentes da consciência. A verdadeira experiência do sintoma acontece exclusivamente dentro da consciência de um indivíduo, quer se trate de uma tristeza, quer se trate de um ferimento.
Defender a normalidade é uma das cruzes mais pesadas da psiquiatria tradicional. Uma alucinação não é mais real ou irreal do que qualquer outro tipo de percepção. O que lhe falta de fato é o beneplácito da coletividade. Os "psiquicamente doentes" atuam sob exatamente as mesmas leis psicológicas que todas as demais pessoas.
Doença e saúde psíquica são os terminais teóricos de um continuum único que surge do inter-relacionamento entre
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