DOR PÉLVICA CRÔNICA
Pouso Alegre
2006
Introdução
A Dor Pélvica Crônica (DPC) é extremamente comum, afetando 1 em cada 7 mulheres (especialmente durante a idade fértil) e respondendo por cerca de 10% das consultas ao ginecologista. Mas a DPC não é um problema exclusivo das mulheres e pode acometer homens após episódios de prostatite crônica, orquialgia crônica e prostatodinia, por exemplo.
A DPC pode ser definida como dor não-relacionada à menstruação durante 3 ou mais meses, localizada na região da pelve anatômica e intensa o suficiente para produzir incapacidade e necessitar tratamento clínico / cirúrgico.
Assim como tantos outros problemas crônicos, a DPC produz um sofrimento considerável, comprometendo a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia multifatorial é a grande responsável pela dificuldade no manejo de indivíduos com DPC.
A Dor Pélvica Crônica (DPC) é um problema comum e pode ser extremamente desafiador devido à sua etiologia incerta, história natural complexa e dificuldade de tratamento. Muitos pacientes com DPC apresentam vários problemas associados, incluindo disfunção vesical, intestinal ou sexual e outros sintomas sistêmicos / constitucionais. Depressão, abuso de drogas e distúrbios da ansiedade também podem coexistir, complicando ainda mais a abordagem do (a) paciente .
Exame Clínico.
A história clínica minuciosa é essencial na avaliação de todo paciente com DPC. Esta é a única maneira de contextualizar a doença e os distúrbios associados. A semiologia da dor pode encurtar significativamente o caminho entre a suspeita diagnóstica e a abordagem terapêutica bem-sucedida. Localização, tipo, distribuição e severidade da dor, bem como os fatores precipitantes e atenuantes, devem ser registrados em detalhes.
Durante a anamnese, deve-se passar criteriosamente por todos os sistemas (incluindo: reprodutor, gastrintestinal, músculo-esquelético, urológico e neuropsiquiátrico). Hipermenorréia costuma estar associada a leiomiomas ou adenomiose. Antecedentes cirúrgicos levantam a suspeita de aderências abdominais ou pélvicas. Pacientes com estenose da cérvice uterina em geral relatam infecções crônicas com várias intervenções (criocirurgia, excisão em alça ou ressecção endometrial). Deve-se suspeitar de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) em mulheres com múltiplos parceiros. História de parto normal difícil com episiotomia ou ruptura perineal sugere distúrbio do assoalho pélvico. Dor tipo queimação (p.ex: vulvodinia sem dispareunia) é típica da neuralgia dos nervos pudendos. Finalmente, os antecedentes psicossociais e psicossexuais devem ser levantados para excluir possíveis distúrbios psiquiátricos coexistente (p. ex: somatização).
A boa relação médico-paciente é importante para o exame físico na DPC. Os exames obstétricos e de outros sistemas podem ser demorados e estressantes. Em geral, após ectoscopia e anotação dos dados vitais, o(a) paciente é examinado(a) em posição de litotomia, iniciando-se com inspeção da genitália e pesquisa de pontos dolorosos. A colposcopia, o toque bimanual e o exame retal podem ser necessários. O exame neurológico e osteomuscular devem fazer parte da avaliação física de todo paciente com queixa de DPC.
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TABELA 1 - CAUSAS DE DPC |
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Distúrbios extra-uterinos |
Endometriose, aderências, cistos anexiais, gravidez ectópica crônica, salpingite (inclusive tuberculosa), síndrome de retenção ovariana (síndrome do ovário residual), distrofia ovariana, cisto peritoneal pós-cirúrgico, ovário acessório residual. |
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Distúrbios uterinos |
Adenomiose, endometrite crônica, dismenorréia atípica, estenose da cérvice, pólipos endometriais ou cervicais, leiomiomatose, relaxamento pélvico sintomático (prolapso genital), dispositivo contraceptivo intra-uterino. |
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Distúrbios Urológicos |
Neoplasia vesical, infecção crônica do trato urinário, cistite intersticial, cistite actínica, cistite recorrente, urolitíase, divertículo uretral, síndrome uretral crônica, carúncula uretral. |
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Distúrbios Músculos-esqueléticos |
Fratura das vértebras lombares |
Ferramenta