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Abordagem Diagnóstica

Trabalho por Ricardo Larret Ragazzini, estudante de Fisioterapia @ , Em 12/05/2006

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ABORDAGEM DIAGNÓSTICA


Há muitas diferentes causas de neuropatia periférica. A eficácia do tratamento depende da correta identificação da etiologia. Entretanto, mesmo nos melhores centros especializados, a causa da neuropatia fica desconhecida em cerca de 25% dos pacientes.

As polineuropatias periféricas representam uma condição clínica freqüente e desafiadora. Muitos pacientes apresentam sintomatologia debilitante e o tratamento depende fundamentalmente da etiologia. Inúmeras são as causas possíveis deste tipo de distúrbio e o diagnóstico etiológico nem sempre é fácil.      As polineuropatias periféricas determinam sintomas sensitivos, motores, autonômicos e tróficos em diferentes proporções. Os sintomas sensitivos geralmente dominam o quadro, mas podem ser bastante vagos e levar a diagnósticos incorretos.

Distúrbios sensitivos: o paciente pode apresentar parestesia (formigamento), hipoestesia (dormência), ataxia ou tremor (por perda de informação a respeito da posição das articulações), dor (geralmente em queimação) ou disestesia (perversão da sensibilidade, por exemplo, tato interpretado como dor). É importante testar o comprometimento de fibras grossas (tato, palestesia e artrestesia) e das fibras finas (dor e temperatura).

Distúrbios motores: apresentam-se como fraqueza e atrofia muscular. A fraqueza pode variar desde um déficit discreto nos músculos intrínsecos dos pés até a falência ventilatória. Fasciculações (pequenas contrações irregulares de um grupo de fibras musculares), cãimbras e espasmos  são raras em polineuropatias, mas podem ser encontradas especialmente no período de convalescência de um episódio agudo.

Reflexos: tipicamente diminuídos ou abolidos, especialmente o aquileu. É importante lembrar que o arco reflexo testa apenas a integridade das fibras grossas.

Distúrbios autonômicos: são devidos ao comprometimento de fibras finas. O paciente pode apresentar anidrose, hipotensão ortostática, impotência sexual, distúrbios da motilidade digestiva, distúrbios vasomotores distais, arreatividade pupilar e falta de modulação da freqüência cardíaca.

Distúrbios tróficos: além da atrofia muscular (que pode levar a deformidades articulares) e da analgesia (que pode determinar lesões ulcerativas e mutilantes), são comuns alterações de pele e fâneros.


Como fazer o diagnóstico?

A questão do diagnóstico pode ser subdividida em duas: primeiramente, o diagnóstico da condição propriamente dita e por fim o diagnóstico etiológico.

1.Exames complementares:

1.1. Eletroneuromiografia

A eletroneuromiografia é um método eficiente de confirmar a suspeita clínica de polineuropatia. Este exame permite uma avaliação abrangente do paciente e fornece informações relevantes como distribuição e intensidade das alterações, tipos de fibras nervosas mais envolvidas (sensitivas ou motoras) e característica fisiopatológica do comprometimento destas fibras (lesões desmielinizantes ou axonais). A eletroneuromiografia permite também a detecção de outras patologias que podem confundir o clínico, como as síndromes do túnel do carpo e do túnel do tarso ou as radiculopatias. Após a avaliação clínica e suspeita de neuropatia periférica, o primeiro exame a ser realizado é a eletroneuromiografia (ENMG), sempre de 4 membros.

A eletroneuromiografia, no entanto, não fornece o diagnóstico etiológico. Deve-se tomar um cuidado especial nos meses de inverno, pois baixas temperaturas reduzem a velocidade de condução nervosa e podem gerar falsos diagnósticos de polineuropatia em doentes não previamente aquecidos. O método também tem como limitação a avaliação seletiva das fibras grossas e afecções exclusivas de fibras finas podem passar desapercebidas. Algumas técnicas especiais como o reflexo cutâneo-simpático permitem uma avaliação grosseira das fibras finas autonômicas.

1.2. Biópsia de nervo:

A biópsia de nervo sural permite a análise histopatológica de uma região restrita de um nervo exclusivamente sensitivo. É importante lembrar que a biópsia deixará um distúrbio sensitivo localizado na face lateral do pé e que freqüentemente os achados são inespecíficos. A biópsia deve ser cogitada em casos onde um diagnóstico em particular está sendo pesquisado, como em neuropatias inflamatórias, infecciosas ou em doenças de depósito. Recomenda-se a realização prévia de uma eletroneuromiografia para confirmar o envolvimento do nervo e para escolher qual lado será biopsiado. 

1.3. Líquido cefalorraquidiano (LCR)

O LCR lombar pode ser utilizado para