MODELO PSICANALÍTICO E SUA APLICAÇÃO NA FISIOTERAPIA
1. INTRODUÇÃO
A psicanálise foi principalmente desenvolvida por Sigmund Freud, que tratou de pacientes neuróticos inicialmente através da hipnose. Substituindo a técnica da hipnose pela da associação livre, Freud pôde estabelecer uma teoria detalhada da atividade mental humana. Através da associação livre e da análise dos símbolos contidos no material psíquico (sonhos, atos falhos, fantasias, etc.), Freud modificou o conceito de inconsciente, na época tido por outros autores como um resíduo das funções conscientes, e passou a considerá-lo uma estrutura dinâmica, matriz da atividade consciente.
A psicanálise parte do princípio de que o sintoma apresentado pelo indivíduo é o substituto de um processo psíquico recalcado. A reconstituição da história do indivíduo a partir de lembranças recalcadas permite a eliminação do sintoma.
Os fatores psicológicos afetam as condições físicas e é aí que a psicanálise entra na fisioterapia. Estudando a psicanálise, o fisioterapeuta pode entender melhor o comportamento de seus pacientes, não permitindo que seu quadro psicológico atrapalhe o tratamento.
2. MODELO PSICANALÍTICO
2.1. DEFINIÇÃO
Psicanálise é o nome de:
1. um procedimento para investigação de processos mentais, praticamente inacessíveis de outra forma, especialmente vivências internas e profundas como pensamentos, sentimentos, emoções, fantasias e sonhos;
2. um método (baseado nessa investigação) para o tratamento das neuroses;
3. um acúmulo sistemático de conhecimentos sobre a mente, obtidos através desse procedimento, que gradualmente está se tornando uma nova ciência.
2.2. HISTÓRICO
Sugestão x Associação Livre
A histeria é uma neurose de conversão caracterizada por sintomas físicos (dormência/paralisia de um membro, perda da voz ou cegueira), quando a pessoa desfruta de plena saúde física.
O neurologista francês, Jean Martin Charcot, interessado no tratamento da histeria, a qual considerava como uma verdadeira moléstia que atingia a homens e mulheres, tentou livrar seus pacientes de pensamentos indesejáveis, através de sugestão hipnótica.
Joseph Breuer, médico vienense, também adotava o procedimento da hipnose, não apenas para suprimir sintomas, mas também para descobrir as causas profundas do sofrimento de seus pacientes. Ele percebeu, durante o tratamento da jovem Anna O. (1880-82), que os resultados tinham um alcance muito maior, ao lhe permitir contar seus pensamentos e sentimentos. Ele chamou de "auto-hipnose" os estados alterados de consciência de Anna, a qual denominou de "cura pela fala" o processo que levava ao desaparecimento de seus sintomas, toda vez que ela conseguia se lembrar dos acontecimentos que os originara.
Durante seus estudos com Charcot (1885), Freud praticou e observou o emprego da hipnose. Em seguida, tornou-se colaborador de Joseph Breuer. Enquanto progressivamente delineava sua teoria sobre a mente, Freud considerava a hipnose mais satisfatória do que a eletroterapia que havia experimentado até 1890.
Através da hipnose, os pensamentos e as lembranças ligadas aos sintomas chegavam eventualmente à consciência. A 'catarse' (purificação, em grego) ocorria através de uma descarga normal de afeto; apesar desse fato, os sintomas tendiam a ser recorrentes.
Primórdios da Psicanálise
Breuer e Freud publicaram suas descobertas e teorias em Estudos sobre a Histeria (1895). Consideravam que os sintomas histéricos ocorriam quando um processo mental caracterizado por intensa carga de afeto ficava bloqueado, impossibilitado de expressão, através da via normal da consciência e dos movimentos. Esse afeto 'estrangulado' percorria vias inadequadas e derramava-se sobre a inervação somática (conversão).
Os autores afirmavam que esses sintomas, substitutos de processos mentais normais, tinham sentido e significado, sendo causados por desejos insconscientes e lembranças soterradas. Dado que essas idéias patogênicas, descritas como traumas psíquicos, eram oriundas de um passado remoto, as histéricas sofriam de 'reminiscências' que não tinham sido elaboradas.
A pedra angular dessa teoria era a hipótese da existência de processos mentais inconscientes, que seguem leis que não se aplicam ao pensamento consciente. Posteriormente, um
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