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Acidende Vascular Cerebral

Trabalho por Sérgio de Carvalho, estudante de Fisioterapia @ , Em 11/04/2004

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Acidente Vascular Cerebral (AVC)


Apresentação

Um acidente vascular cerebral (AVC), comumente conhecido como derrame, resulta da restrição na irrigação sangüínea ao cérebro, causando lesão celular e danos às funções neurológicas.

Clinicamente, diversas deficiências são possíveis, inclusive danos às funções motoras, sensitivas, mentais, perceptivas e da linguagem. As deficiências motoras se caracterizam por paralisia (hemiplegia), ou fraqueza (hemiparesia) no lado do corpo oposto ao local da lesão.

Freqüentemente o termo hemiplegia é empregado genericamente como referência a uma ampla variedade de problemas que resultam do AVC. A localização e a extensão exatas da lesão determinam o quadro neurológico apresentado por cada paciente.

Os AVCs oscilam desde leves até graves, e podem ser temporários ou permanentes.


I) Introdução

I.1)Epidemiologia

O AVC representa uma causa importante de incapacidade e morte nos Estados Unidos, estimativamente afetando 1.750.000 indivíduos e causando 180.000 mortes a cada ano. As taxas de prevalência na população geral (todas as idades combinadas) estão entre 4 e 6/1000, com taxas de incidência anual entre 1 e 2/1000. A incidência do AVC aumenta dramaticamente com a idade, atingindo importantes proporções após os 55 anos. Por exemplo, a taxa de incidência anual é de 3,5/1000 para indivíduos entre 55 e 64 anos, e 9/1000 para indivíduos entre 65 e 74 anos. Embora a maioria dos AVCs afete os mais idosos, uma porcentagem estimada de 20% dos AVCs ocorre em indivíduos abaixo dos 65 anos. AVC afeta homens e mulheres quase que igualmente, predominando mais em negros que em brancos, especialmente nas faixas etárias mais jovens. Estudos epidemiológicos revelaram um declínio constante na incidência dos AVCs desde a década de 40. Também foram observadas tendências descendentes similares na incidência das doenças cardiovasculares. O controle dos fatores de risco do AVC e a terapia hipertensiva têm sido implicados na contribuição para as aceleradas taxas de declínio.

I.2) Anatomia e Fisiologia

O metabolismo encefálico é quase exclusivamente aeróbio, de modo que os neurônios dependem da irrigação sangüínea contínua. Se o cérebro for privado de sangue, perde-se consciência em segundos, sendo que ocorrem lesões permanentes dentro de minutos. Talvez, devido à vulnerabilidade única do cérebro, a evolução tenha fornecido a ele uma irrigação sangüínea abundante e anatomicamente diversificada. O mecanismo fisiológico complexo garante que a irrigação sangüínea permaneça estável durante uma ampla gama de pressões arteriais, fenômeno denominado "auto-regulação".

O sangue chega ao encéfalo por quatro vasos importantes. A artéria carótida direita emerge da artéria inominada, a artéria carótida esquerda, diretamente da aorta; elas passam pela parte frontal do pescoço e cada uma delas divide-se em duas, os ramos (artérias cerebrais anterior e média) irrigando os lobos frontal, parietal e temporal. As duas artérias anteriores do cérebro unem-se anteriormente através da artéria comunicante anterior, formando a parte anterior do círculo de Willis. Essa proteção significa que a estenose grave ou mesmo a oclusão de uma das artérias carótidas internas normalmente não ocasiona acidente vascular cerebral, uma vez que o sangue passa da direita para a esquerda (ou vice-versa), através da artéria comunicante anterior.

Há duas outras artérias, conhecidas como vertebrais, que são menores que as carótidas internas e são ramos dos vasos subclávios. Seu trajeto é em direção ao pescoço através dos forames nos processos transversos das vértebras cervicais e se anastomosam anteriormente ao tronco encefálico, para formar a artéria basilar. Os ramos desta artéria irrigam a medula oblonga (bulbo), a ponte, cerebelo e o mesencéfalo. Na parte superior do mesencéfalo, a artéria basilar se divide em duas artérias posteriores do cérebro que retornam para irrigar os lobos occipitais. Essas duas artérias também se unem na parte posterior do círculo de Willis por pequenas artérias comunicantes posteriores e