PREMATURIDADE
1. Conceito de prematuridade
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (1961), é considerada prematura, ou pré-termo, a criança com menos de 37 semanas de gestação. Classificando-se os recém-nascidos segundo o peso e a idade gestacional, pode-se admitir esse limite em 38 semanas.
2. Incidência
Em geral, a incidência da prematuridade é tanto maior quanto menos desenvolvido é o meio, sendo que o número total de recém-nascido de baixo peso é submetido a igual influência.
As incidências de prematuridade variam muito com o tipo de Serviço considerado. No Berçário Anexo à Maternidade do Hospital da Clínicas de São Paulo (BAM-HC), em 1987 houve 16,9% de recém-nascido pré-termo (RNPT) e, em 1988, 17,5%.
No ano de 1987, 13% dos prematuros tinham 30 semanas ou menos; 16,7%, de 31 a 32; 19,3%, de 33 a 34 e 50,5%, de 35 a 36 semanas. Esses dados refletem uma população materna de elevado risco e referem-se apenas ao total de prematuros cuja idade gestacional pode ser determinada.
3. Etiologia
3.1. Raça: as gestantes de raça branca apresentam menor incidência de parto prematuro, quando comparadas com grávidas não brancas em faixas etárias correspondentes, ou seja, 3,4% e7%, respectivamente.
3.2. Idade: gestantes nos extremos da faixa etária reprodutiva, isto é, acima de 40 anos e abaixo de 17 anos, apresentam pior prognóstico que aqueles entre 25e 34 anos.
3.3. Estado nutricional: estado de desnutrição acentuado é comumente relacionado ao parto prematuro.
3.4. Nível sócio-econômico: pacientes de melhor nível apresentam menor risco de prematuridade, quando comparadas com as de baixo nível, sendo que estas últimas apresentam uma incidência variando de 67 a 94%.
3.5. Atividade profissional: a correlação é extremamente controversa, pois enquanto certos advogam uma maior incidência, principalmente no último trimestre da gestação e nas atividades mais extenuantes e/ou estressantes, outros não observam nenhuma alteração significativa.
3.6. Tabagismo e drogas: o tabagismo indubitavelmente aumenta a taxa de parto prematuro; sendo que o risco se eleva progressivamente à medida que o número de cigarros consumidos diariamente aumenta. O uso dos narcóticos e o alcoolismo crônico, ambos cada vez mais freqüentes na faixa reprodutiva, elevam a prevalência da prematuridade.
3.7. Mau passado obstétrico: gestantes com história de partos prematuros apresentam risco de recidiva que varia de 17 a 40%; o antecedente de um ou mais abortos no segundo trimestre também implica maior probabilidade de prematuridade.
3.8. Anomalias uterinas: o risco de parto prematuro varia de acordo com o tipo de anomalia encontrada, como por exemplo, mioma uterino, dilatação precoce do colo uterino.
3.9. Pré-natal: a prematuridade é menor quando o pré-natal se inicia no primeiro trimestre e o seguimento é realizado de maneira regular.
3.10. Intercorrências clínicas: anemia, processos infecciosos, infecções genitais, hipertensão arterial crônica, cardiopatias, diabetes melito, entre outras, podem levar à prematuridade.
3.11. Intercorrências obstétricas: gestação múltipla, placenta prévia, entre outras, podem levar à prematuridade.
3.12. Altura materna: mulheres de menor estatura, independentemente de sua categoria sócio-econômica, apresentam maior incidência de partos prematuros.
4. Avaliação neurológica do recém-nascido prematuro
Quando se fala sobre a avaliação neurológica do recém-nascido (RN) prematuro, devemos lembrar que estamos lidando com um sistema nervoso numa fase de desenvolvimento diferente daquele do RN a termo.
O exame neurológico de prematuro deve respeitar o caráter evolutivo do desenvolvimento de seu sistema nervoso e, a sistematização do exame neurológico do RN a termo não pode, simplesmente, ser transferida para o prematuro.
4.1. RN com 28 semanas de IG
4.1.1. Tono ativo: a motilidade espontânea se caracteriza por movimentos lentos, localizados ou generalizados, entremeados por movimentos mais abruptos e rápidos. Essa movimentação tende a ocorrer em "surtos" agrupados, seguidos por uma inatividade prolongada. A motilidade tende a
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