QUEDAS NO IDOSO
Belo Horizonte, 26 de Fevereiro de 2003
INTRODUÇÃO
Nevitt define queda como sendo "um evento não-intencional que apresenta como conseqüência uma mudança de posição do corpo para um nível mais baixo do que a posição inicial". Esta é a causa mais importante de mortalidade por acidente depois dos 75 anos.
Sabemos que o envelhecimento traz várias alterações anatômicas e fisiológicas, e que estas alterações tornam o paciente idoso mais frágil; desta forma, ele estará mais propenso a sofrer quedas. Foi documentado que, no Brasil, 30% das pessoas que vivem na comunidade com 65 anos ou mais caem a cada ano. Dos que moram em asilos e casas de repouso, cerca de 50% cai a cada ano. Este risco de cair aumentado em idosos institucionalizados decorre dos distúrbios da marcha e do equilíbrio,da fraqueza e confusão mental apresentados pelos mesmos. Quanto ao sexo, as mulheres caem mais do que os homens até os 75 anos de idade; a partir daí, a freqüência torna-se semelhante em ambos.
As quedas são a sexta causa de morte entre pessoas com idade acima de 65 anos, e quando não resulta em lesão fatal, podem ocasionar fraturas, luxações, lacerações e seqüelas psicológicas. O grande impacto de uma queda na saúde e independência dos idosos aumenta a relevância de se elaborar uma proposta fisioterapêutica preventiva, visando melhorar a qualidade de vida destes idosos e evitar complicações futuras.
Causas e fatores de risco:
As quedas no idoso possuem uma natureza multifatorial, de forma que não se deve atribuir uma queda a apenas uma causa, e sim a diversos fatores que podem ou não ocorrer de forma associada. Estes fatores podem ser divididos em intrínsecos (relacionados com o indivíduo) e extrínsecos (relacionados com o ambiente). As causas intrínsecas incluem alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento, doenças, fatores psicológicos e medicamentos que acarretam risco de queda para os idosos. As causas extrínsecas incluem perigos ambientais, como chão escorregadio e áreas pouco iluminadas.
Diversos fatores podem impedir a identificação certa das causas específicas de quedas, como a falta de testemunhas, a incapacidade das pessoas idosas recordarem as circunstâncias envolvendo o ocorrido, a natureza transitória de diversas causas e o fato de que a maioria dos idosos que caem e não apresentam consequências graves não procuram o médico.
FATORES DE RISCO INTRÍNSECOS:
Alterações Fisiológicas do Processo de Envelhecimento:
1 - Acuidade Visual: o declínio da acuidade visual é uma das causas mais significativas. Com o envelhecimento, o tamanho e resposta das pupilas diminuem. Ao entrar em um recinto escuro ou sair à noite, o indivíduo idoso tem risco de queda aumentado, pois o tempo necessário para que o olho senescente atinja um nível de sensibilidade à luz igual ao de uma pessoa jovem está prolongado. Por conseqüência, indivíduos mais velhos precisam de iluminação adequada para andar com segurança.
2 - Presbiacusia: a presbiacusia é um declínio na acuidade auditiva com o envelhecimento, pode levar à queda quando o indivíduo é incapaz de ouvir os ruídos que alertam para a aproximação de um automóvel, por exemplo, e, portanto não tem tempo suficiente para evitar um acidente.
3 - Fraqueza Muscular: a fraqueza muscular é sugerida por uma incapacidade do paciente para andar sobre seus calcanhares ou artelhos, levantar-se de uma cadeira ou após abaixar-se sem utilização dos braços ou segurar-se no assento da cadeira. Um indivíduo normal deve estar apto à estender seus joelhos completamente contra a gravidade. Todas tendências para a permanência ligeiramente fletida sugere fraqueza femoral. Freqüentemente associada com quedas e tropeços. Pode ocorrer debilidade muscular difusa com em apenas de 4 a 6 semanas de repouso absoluto no leito.
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