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Calcificação Heterotópica

Trabalho por Amélia Pacheco, estudante de Fisioterapia @ , Em 22/04/2003

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Calcificação Heterotópica


A terminologia associada a ossificação de tecidos moles não é muito clara , pois podemos classificar de três maneiras distintas :

  • Ossificação Heterotópica Neurológica : após lesão neurológica grave .
  • Ossificação pós-traumática : após trauma direto , cirurgias .
  • Miosite ossificante progressiva : doença grave e rara .

A ossificação heterotópica neurológica , é geralmente notada em torno do 2º ao 4º mês seguintes à lesão medular , mas pode ser observada desde algumas semanas até vários anos depois .

A incidência varia muito , mas o acometimento de uma única articulação é menos freqüente que a de duas ou mais . O quadril é o mais atingido , seguido de joelhos, ombros e cotovelos .

Etiologia

É desconhecida , mas acredita-se que ocorra uma metaplasia nas células do tecido conjuntivo , devido a uma hipóxia tecidual e outros fatores desconhecidos , que se diferenciam e tornam-se condrócitos e osteoblastos . Uma associação de certos antígenos ( HLA-B18 , HLA-B27 , HLA-DW7 ) com ossificação heterotópica tem sido relatada , havendo vários estudos que contestam qualquer relação .

Pode ocorrer em pacientes espásticos ou flácidos , lesão completa ou incompleta , ocorrendo mais em espásticos e/ou lesão completa .

Quadro clínico

Está dividido em três fases :

  • INICIAL : Existe um aumento de volume que pode ser acompanhado de calor local e leve limitação de movimento .
  • INTERMEDIÁRIA : É possível notar uma massa palpável e uma acentuada limitação de movimentos .
  • TARDIA : Além da rigidez , pode-se observar flebite e TVP . 

Exames Complementares

Realiza-se o exame para verificar os níveis séricos , com cálcio normal , fósforo pode estar elevado e a fosfatase alcalina está elevada , sendo está última a mais importante pois ajuda a descobrir o estágio de evolução da patologia .

A radiografia na fase inicial não revela a formação óssea , sendo mais eficiente o ultra-som . A cintilografia é um exame mais confiável e mais importantes nos estágios mais avançados como determinante da maturação óssea.


Tratamento

O melhor tratamento é a prevenção , mas como não se pode prever quais pacientes de lesão medular correm mais riscos de formação heterotópica , por isso devemos acompanhar desde cedo os níveis de fosfatase alcalina e manter um programa de cinesioterapia intensivo .

Os disfosfonatos ( etidronato dissódico ) podem ser usados na profilaxia ou tratamento em fases iniciais , acredita-se que ele impede a mineralização da matriz óssea . A dose recomendada é de 20mg/Kg/dia por 12 semanas podendo chegar a um ano . A indometacina é empregada na dose de 25mg , 2 a 3x por dia , ela parece inibir a metaplasia . Recomenda-se o uso combinado do Etidronato com a Indometacina .

A radioterapia também previne a calcificação heterotópica por bloqueio da formação de osteoblastos pelas células mesenquimais indiferenciadas . Oferece ainda o efeito analgésico quando existe um quadro de dor .

A cirurgia consiste na ressecção da massa calcificada com a meta de restabelecer a função da articulação . É preciso estabelecer se o processo de osteogênese já esta estabilizado . Não deve-se fazer a cirurgia antes de 6 meses de início do quadro , e o risco de recidiva é grande . Quando os quadris estão muito acometidos , e a cirurgia é recomendada com interposição muscular . O protocolo diz que deve ser feita uma sessão única de radioterapia ( pré-operatória de 700cGy , 2 horas antes ) e indometacina na dose de 50mg/2x dia , iniciada duas semanas antes