ANTI - HISTAMÍNICOS
MANAUS
OUTUBRO/2005
1. HISTAMINA
A história do ß - aminoetilimidazol ou histamina tem vários paralelos estreitos com a da acetilcolina (ACh). Ambos os compostos foram sintetizados como curiosidades químicas, antes que seu significado biológico fosse reconhecido; ambos foram inicialmente detectados como estimulantes uterinos em extratos do esporão do centeio, a partir do qual foram subseqüentemente isolados; e ambos mostraram-se contaminantes casuais do esporão do centeio, como resultado da ação bacteriana.
A histamina é 2 (4 imidazolil) etilamina (ou b - aminoetilimidazol). É uma molécula hidrofílica composta de um anel imidazólico e um grupo amino ligados por dois grupos metileno. A forma farmacologicamente ativa em ambos os receptores, H1 e H2, é o tautômero monocatiônico Ny H, ou seja, a forma carregada da espécie mostrada no Quadro abaixo, embora diferentes propriedades químicas desse monocation possam estar envolvidas nesses dois receptores diferentes.
Estrutura da histamina e de alguns agonistas H1 e H2
1.1 EFEITOS FARMACOLÓGICOS: RECEPTORES H1 e H2
A histamina contrai muitos músculos lisos, como os dos brônquios e intestinos, mas relaxa outros de modo pronunciado, inclusive os de vasos sangüíneos de menor calibre. Proporciona também um estímulo muito potente a produção gástrica de acido. Efeitos que podem ser atribuídos a essas ações dominam a resposta geral a droga; contudo, há vários outros, dos quais a formação de edema e a estimulação das terminações nervosas sensoriais talvez sejam os mais conhecidos. Alguns desses efeitos, como a broncoconstrição e contração do intestino, são mediados por um tipo de receptor histamínico, os receptores H1, que são prontamente bloqueados pela pirilamina e outros desses anti-histamínicos clássicos, agora mais apropriadamente descritos como drogas bloqueadoras dos receptores histamínicos H1 ou, mais simplesmente, bloqueadores H1. Outros efeitos, principalmente a secreção gástrica, são totalmente refratários a esses antagonistas, envolvem a ativação dos receptores H2 e são suscetíveis a inibição pelas drogas bloqueadoras dos receptores histamínicos H2, mais recentemente desenvolvidas. Ainda outros, tais como a hipotensão resultante da dilatação vascular, evidentemente são mediados por receptores de ambos os tipos, H1 e H2, pois só são anulados por uma combinação de bloqueadores H1 e H2.
As duas classes de receptores histamínicos também se revelam por respostas diferenciadas a vários agonistas histamínicos. Assim, a 2 metil histamina evoca preferencialmente respostas mediadas pelos receptores H1, enquanto a 4 metil histamina tem um efeito correspondentemente preferencial mediado pelos receptores H2. Esses compostos são representantes de duas classes de drogas histamínicos, que são agonistas dos receptores H1 e H2. A disponibilidade desses agonistas H1 e H2 e dos antagonistas correspondentes enriqueceu grandemente o conhecimento da farmacologia e da fisiologia da histamina, além de ter permitido novas abordagens terapêuticas.
1.2 PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS DA HISTAMINA
A histamina produz efeitos diversos sobre vários órgãos. Por exemplo, causa vasodilatação dos capilares e, em doses elevadas, pode torná-los permeáveis a fluidos e proteínas plasmáticas que, extravasando, acarretam edema. Estimula a contração da musculatura lisa de diversos órgãos, tais como intestino e brônquios. Estimula também a secreção do suco gástrico pelo estomago, acelera o batimento cardíaco e inibe a contração do útero de rata. Está implicada nos fenômenos alérgicos e no choque anafilático.
A histamina não possui aplicação terapêutica. Como fosfato, é usada para determinar a acidez gástrica, como adjuvante no diagnostico diferencial da ulcera péptica, carcinoma e anemia perniciosa. O complexo histamina-azoproteína, chamado azostamina, é usado como antígeno para hipossensibilização à histamina em determinados distúrbios alérgicos.
1.3 ANTAGONISTAS
Os efeitos da histamina podem ser antagonizados pelo uso de: (a) inibidores da biossíntese da histamina, tais como a semicarbazida de a
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