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Amlodipina

Trabalho por Geraldo Majela Kallas JUnior, estudante de Farmácia @ , Em 04/11/2003

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Amlodipina


1. Introdução

Bloqueadores de canal de cálcio

Desde o final da década de 1800, constatou-se a necessidade de um influxo de cálcio para a contração do músculo. Entretanto, o mecanismo pelo qual o cálcio penetrava na célula só foi descoberto muito recentemente. A descoberta de um canal de cálcio no músculo cardíaco (fato resumido por Reuter, 1983) foi seguida do achado de vários tipos distintos de canais de cálcio em diferentes tecidos. Essas descobertas forneceram os mecanismos necessários para induzir a contração do músculo cardíaco e do músculo liso e para o acoplamento de excitação-secreção nos tecidos tanto nervosos quanto secretores.

A descoberta desses canais também permitiu o desenvolvimento de drogas bloqueadoras de utilidade clínica. Embora os bloqueadores terapêuticos desenvolvidos até o momento tenham sido quase exclusivamente bloqueadoras de canais do tipo L (devido ao método de triagem utilizado), existem estudos intensivos, sobre bloqueadores seletivos dos canais neuronais de cálcio, na esperança de que possam ser desenvolvidas drogas mais eficazes para prevenção da lesão cerebral após acidente vascular cerebral, etc.

O verapamil, o primeiro membro desse grupo clinicamente útil, foi o resultado de tentativas de síntese de análogos mais ativos da papaverina, um alcalóide vasodilatador encontrado na papoula. Desde então, constatou-se que dezenas de drogas de estrutura variável tinham a mesma ação farmacológica fundamental. A nifedipina é o protótipo da família diidropiridina dos bloqueadores dos canais de cálcio que ainda contem as drogas isradipina, nitrendipina, felodipina, amlodipina, nisoldipina, lacidipina. Já foram investigadas dezenas de moléculas nessa família e essas sete moléculas citadas a cima foram aprovadas nos E.U.A para angina e outras indicações. A ação anti-hipertensiva dos antagonistas dos canais de cálcio decorre da redução da resistência vascular periférica por diminuição da concentração de cálcio nas células musculares lisas vasculares. Não obstante o mecanismo final comum, esse grupo de anti-hipertensivos é dividido em 4 subgrupos, com características químicas e farmacológicas diferentes: fenilalquilaminas (verapamil), benzotiazepinas (diltiazem), diidropiridinas (nifedipina, isradipina, nitrendipina, felodipina, amlodipina, nisoldipina, lacidipina) e antagonistas do canal T (mibefradil). A nifedipina é a mais extensamente estudada desse grupo, porem as propriedades das outras diidropiridinas podem ser consideradas semelhantes.

Daremos ênfase nesse trabalho sobre a droga amlodipina que é um componente da família das diidropiridinas.

Tratamento

Tem como finalidade o controle da pressão arterial, valores inferiores a 140 para sistólica e 90 mm Hg para diastólica, visando a redução da morbidade e mortalidade cardiovasculares decorrentes da hipertensão e inclui medidas farmacológicas e não farmacológicas..

O tratamento não-farmacológico está indicado para todos hipertensos e para normotensos com risco cardiovascular elevado. A adoção do tratamento não-farmacológico requer mudanças de hábitos de vida. A tabela 1 relaciona as medidas não-farmacológicas e sua eficácia no controle da hipertensão.

Os hipertensos com excesso de peso devem ser orientados para redução até atingir índice de massa corporal inferior a 25 Kg/m2 e relação cintura/quadril inferior a 0,8 para mulheres e 0,9 para homens. A redução de peso pode ser obtida com dieta hipocalórica balanceada e atividade física programada.
A redução de sal na alimentação deve ser enfatizada para consumo de 100 mEq/dia=6 g de sal (1 colher de chá). Evitar alimentos industrializados, enlatados, embutidos, carnes/peixes secos, defumados, charque, conservas, aditivos à base de glutamato de sódio, queijos, adição de sal aos alimentos prontos e abolir saleiro da mesa. O uso de substitutos do sal com cloreto de potássio deve ser evitado em pacientes com comprometimento renal. O aumento da ingestão de potássio pode ser obtido com uso de grãos (feijão, ervilha), vegetais verde-escuros, banana, melão, cenoura, beterraba, frutas secas, tomate, batata inglesa, laranja. O consumo de bebida alcoólica não deve exceder a 30 ml de etanol/dia, o que equivale a 60 ml de destilados (pinga, uísque, vodca), 240