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Sistema Complemento

Trabalho por Antônio Carlos Silva, estudante de Farmácia @ , Em 22/04/2003

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SISTEMA COMPLEMENTO


Atualmente sabe-se que o complemento é um sistema de proteínas funcionalmente ligadas que interagem entre si de maneira altamente regulada para executar muitas das funções efetoras de imunidade humoral e da inflamação.
As principais funções biológicas do sistema complemento são as seguintes:

1- Certos componentes ativados do complemento são polimerizados nas superfícies celulares e medeiam a citólise pela formação de poros ou rompendo a integridade da camada dupla de fosfolípideos nas membranas destas células. Deste modo, microrganismos estranhos que ativam o complemento podem ser mortos por lise osmótica.

2- Opsonização de microrganismos estranhos ou de partículas pela ligação das proteínas do complemento a suas superfícies. Os leucócitos fagocitários expressam receptores específicos para estas opsoninas. Deste modo, as opsoninas promovem fagocitose de partículas ou de microrganismos.

3- Ativação de inflamação em resposta à geração de certos fragmentos proteolíticos de proteínas do complemento. Estes peptídeos derivados do complemento atuam sobre diversos alvos. Ativam mastócitos, causando reação que se assemelham à hipersensibilidade imediata; em casos extremos, esta reação pode simular a anafilaxia, e estes fragmentos do complemento algumas vezes são chamados anafilatoxinas. Outros alvos destes peptídeos incluem endotélio vascular e leucócitos inflamatórios. Ainda outros fragmentos das proteínas do complemento podem potencializar as respostas dos linfócitos B a antígeno.

4- Imunocomplexos que poderiam lesar os tecidos tornam-se inócuos por solubilização, limitação de tamanho e eliminação fagocitária da circulação em decorrência da ligação com proteínas do complemento.

Os componentes solúveis do complemento do soro incluem múltiplas enzimas proteolíticas, que são seqüencialmente ativadas somente quando elas próprias são proteoliticamente clivadas por outras enzimas do sistema complemento previamente ativadas. As proteínas que adquirem atividade enzimática proteolítica pela ação de outras proteases são chamadas zimogênios. O processo de ativação seqüencial dos zimogênios, isto é, uma cascata enzimática, também é característico da coagulação e do sistema das cininas. As cascatas proteolíticas permitem tremenda amplificação, já que molécula enzimática individual ativada numa fase pode gerar múltiplas moléculas enzimáticas ativadas ou ativar fragmentos, na fase seguinte.

Embora as proteínas do sistema complemento estejam presentes no sangue, são inativas ou tem apenas um baixo nível de ativação espontânea na circulação. A ativação do sistema complemento normalmente ocorre somente em certos pontos localizados. Em primeiro lugar, as moléculas de imunoglobulina (Ig) que se ligam a antígenos específicos podem ativar o complemento e, por esta razão, o complemento serve como mecanismo efetor principal para a imunidade humoral específica. A seqüência de ativação do complemento iniciada por complexos antígeno anticorpo é chamada de via clássica. Em segundo lugar, alguns componentes do complemento são diretamente ativados por ligação às superfícies de microrganismos infecciosos. Deste modo, a ativação do complemento também participa da imunidade natural. A seqüência de ativação do complemento que ocorre nas superfícies microbianas na ausência de anticorpo é chamada via alternativa. O nome "alternativa" vem do fato de que esta via foi descoberta depois da via clássica.

O sistema complemento é firmemente regulado por diversas proteínas solúveis e associadas à membrana celular, que inibem a ativação do complemento em múltiplas fases. Estes mecanismos regulatórios têm duas funções principais. Na primeira, limitam ou cessam a ativação do complemento em resposta a estímulo fisiológicos. Na segunda, impedem a ativação anormal ou constitutiva do complemento na ausência de micróbios e anticorpos.


AS CASCATAS DO COMPLEMENTO

O componente central do sistema complemento é uma proteína chamada C3, crítica para as funções efetoras deste sistema. As formas biologicamente ativas de C3 são seus produtos de clivagem proteolítica. As vias clássica e alternativa incluem componentes protéicos distintos que são ativados de diferentes modos para gerar enzimas chamadas convertases de C3, que clivam C3 para produzir C3a e C3b. Nas fases iniciais da via clássica, as moléculas de anticorpo que fazem complexo com antígeno específico ligam-se e ativam proteoliticamente e seqüencialmente