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Acido Úrico e Gota

Trabalho por Vinícios Amaral, estudante de Enfermagem @ , Em 22/04/2003

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ESTUDO DE VIAS E SÍNTESES DE ÁCIDO ÚRICO E URATO NO ORGANISMO E CAUSAS E EFEITOS DA DOENÇA GOTA

FLORIANÓPOLIS

2002

1. INTRODUÇÃO

Primatas inferiores e outros mamíferos catabolisam o ácido úrico através de hidrólise catalisada pela uricase a alantoína, um produto altamente hidrossolúvel, enquanto que o homem, pássaros, anfíbios e répteis pela falta de uricase, catabolisam as purinas em ácido úrico e urato.

O urato é um coletor muito eficiente de espécies químicas muito reativas e prejudiciais do oxigênio, como radicais de hidroxila, anionte superóxido, singleto de oxigênio e intermediários oxigenados do hemo com altos estados de valência do ferro (+4 e +5).

O nível alto de urato em seres humanos, em comparação a outros primatas inferiores, pode contribuir significativamente para o maior tempo de vida dos seres humanos e para a menor incidência de câncer humano. Entretanto, este nível alto está próximo da solubilidade, que oscila na borda da GOTA em muitas pessoas, em especial nos homens.

Logo, qualquer deficiência ou excesso de enzima irá propiciar a formação da doença denominada GOTA, que é um aumento no nível de ácido úrico e formação de cristais de urato no organismo que irá afetar sobretudo as articulações e os rins.

Este é portanto, um compêndio com as principais reações químicas que levam à originar a doença em questão, os fatores causados por ela e possíveis métodos de cura.


2. PURINAS

As purinas e as pirimidinas são bases cíclicas complexas que, como seus respectivos nucleotídeos, constituem a estrutura química das informações genéticas: transcrição e tradução das informações em estrutura protéica nas células vivas. Como constituinte de ATP, GTP, UTP, NAD, FAD e outras moléculas, também recebem e transferem seletivamente a energia para finalidades metabólicas. AMP e GMP cíclicos funcionam como importantes sistemas reguladores, muitas vezes como sinal final da ação hormonal. Em certo sentido, todos os distúrbios genéticos são distúrbios do "metabolismo" das purinas e pirimidinas enquanto expressos na seqüência linear de informações codificadas através do código triplo (DNA e RNA).

Os ribonucleotídeos e desoxirribonucletotídeos derivados da hidrólise de ácidos nucléicos são catabolisados formando os açúcares, fosfato e bases púricas e pirimidinas correspondentes. No homem e em outros primatas, as bases púricas são catabolisadas a ácido úrico e depois em urato. O mecanismo exato pelo qual os ácidos nucléicos são quebrados intracelularmente não foi ainda completamente elucidado. Contudo as evidências sugerem que a via que leva de mononucleotídeos a ácido úrico é a seguinte:

- fosfomonoesterases convertem AMP e GMP, ou derivados de seus análogos, nos respectivos nucleosídeos (como por exemplo o GMP, que é primeiro hidrolisado para liberar o nucleosídeo guanosina, o qual é clivado para liberar guanina. A guanina sofre remoção hidrolítica do seu grupo amino para liberar xantina, que é convertida em ácido úrico pela xantina oxidase). Adenosina desaminase catalisa a síntese de inosina. Os ribonucleotídeos ou desoxirribonucleotídeos de purinas são convertidos em bases livres pela enzima putina nucleosídeo fosforilase. Mecanisticamente, esta enzima age como a glicogênio fosforilase, uma vez que ela remove um derivado de açúcar 1-fosfato por umareação fosforolítica que utiliza fosfato inorgânico.

- As bases guanina e hipoxantina têm dois destinos: elas podem ser reconvertidas a seus 5’-ribonucleotídeos ou podem ser convertidas em xantina. A oxidação da xantina a ácido úrico e a oxidação da hipoxantina a xantina são catalisada pela xantina oxidase, uma enzima encontrada no fígado e na mucosa intestinal. Esta enzima é uma metaloflavoproteína que contém FAD, molibdênio e ferro não hemínico. Elétrons do substrato passam para o molibdênio, FAD, ferro e, finalmente, oxigênio molecular, formando então o ácido úrico.

- Entretanto, o oxigênio molecular que