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Adaptação Psicossocial da Família à Maternidade

Trabalho por Bruna Cirqueira Cavalcante, estudante de Enfermagem @ , Em 04/10/2006

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Adaptação Psicossocial da Família à Maternidade


1. A FAMÍLIA

Existem diversas definições de família, envolvendo a explicação da estrutura familiar, suas funções, composição e laços afectivos. Friedman (1992) apresentou uma definição ampla de família, enfatizando a importância do envolvimento emocional como uma característica necessária. Segundo ele, a família consiste em "2 ou mais pessoas que estão ligadas entre si por laços de partilha e proximidade emocional e que se identificam como parte da família".

Esta definição inclui uma diversidade de tipos de famílias, tais como: a família alargada, monoparental, combinada, homossexual ou nuclear.

1.1. Definição de família nuclear

Uma breve perspectiva histórica em relação aos tipos de família mais comuns na nossa sociedade revela que, antes da revolução industrial, o mais comum era a família extensa. A esta pertenciam diversas gerações que coabitavam e se interrelacionavam diariamente. Era adoptada devido ao seu papel na função de sobrevivência económica. É caracterizada por:

  • Relações extra familiares mais densas, calorosas e complexas do que as relações intrafamiliares;
  • Os familiares são bastante indiferentes para a criança, os tempos e espaços da criança não são respeitados, não existe sentimento de infância – após a primeira infância (5-7 anos) a criança passa a ser vista como uma miniatura de adulto;
  • A criança trabalha, brinca e dorme com os adultos, pelo que a sua aprendizagem se faz de forma directa e prática.

A passagem da família tradicional à família moderna (que se inicia por volta do século XVIII com a Revolução Industrial) é também o surgimento de uma família de companheirismo e afecto, acompanhada de uma sentimentalização entre gerações e uma preocupação crescente no que respeita ao futuro dos filhos. Assim, a família moderna ou nuclear, na qual predomina a função afectiva caracteriza-se por:

  • Preocupação constante em formar a criança a fim de a promover socialmente;
  • A criança é separada do mundo dos adultos, pois é vista não como um adulto mas como um ser aparte;
  • A aprendizagem é feita em duplo pelos pais e pela escola e não envolvida por vivências directas;
  • Progressiva limitação de nascimentos e aumento do investimento afectivo.

A família nuclear distingue-se ainda pela sua constituição e pela distribuição de papéis. Assim, é constituída pelos pais e pelas crianças (seus filhos), não coabitando com outros familiares e sendo deles economicamente independentes. Neste tipo de família é esperado que os pais, de sexo diferente, desempenhem papéis complementares de marido-mulher e pai-mãe, dando apoio emocional e físico um ao outro e aos seus filhos.

Orientações recentes da sociedade contemporânea introduziram ainda o conceito de igualdade de papéis entre progenitores, pelo que a família nuclear "idealizada" de pai, mãe e dois (ou mais) filhos, onde o pai é a única fonte de rendimentos e a mãe é a dona de casa, ainda faz parte do presente, mas é cada vez mais algo do passado.

No entanto, qualquer que seja a estrutura da família, nela vai estar sempre inserida a criança. A família será sempre para a criança a sua fonte primária de contactos com o ser pessoa (corpos, personalidade, mais estímulos sociais). Já estes contactos entre pais e filhos evoluem consoante as estruturas e funções da família numa dada sociedade. Assim, e segundo Levi-Strauss, as relações da família só se compreendem em função do meio envolvente.

1.2. A Família e a Sociedade

Hoje em dia o conceito de família deve ser visto cada vez mais como conceito da própria sociedade e do contexto cultural e histórico em que se insere.

Assim, para além dos factores intrínsecos aos indivíduos que constituem cada família, há ainda todo